Retalho

Intermarché: “Para 2016 queremos abrir 10 a 12 lojas”

No ano em que comemora as bodas de prata em Portugal, o Intermarché volta a reafirmar a sua posição na venda de produtos frescos e no apoio aos produtores dentro do universo retalhista nacional. Mas, na conversa com Vasco Simões, administrador do Intermarché para Portugal, o responsável deixou antever que o e-commerce e novas lojas nos grandes centros urbanos parecem estar também na calha.

Qual o balanço que faz da primeira exposição de produtos nacionais que decorreu em janeiro em Santarém?

No que respeita à exportação correu muito bem. Recebemos o ministro da agricultura, Capoula Santos, que visitou os cerca de 100 expositores/produtores que tivemos no evento. Cerca de 80% desses produtores trabalham connosco através do programa Origens. Os restantes 20% foram convidados pela Portugal Foods e Portugal Fresh e quem sabe se no decorrer deste ano não iremos trabalhar com eles…

E desses 20% são para serem para serem parceiros em Portugal ou para toda a rede do Intermarché?

Os 20% que foram convidados pela Portugal Foods e Portugal Fresh ainda não trabalham connosco. Quando endereçamos este convite para este tipo de exposição desafiamos os participantes também a exportar, uma vez que somos 10º maior grupo retalhista a nível de europeu, com 3500 pontos de venda em França, Bélgica e Polónia – para além de Portugal. Tivemos a visita de uma delegação de homólogos franceses e belgas responsáveis pelas compras para esses países. O balanço foi bastante positivo quer da parte da produção quer da parte dos compradores que gostaram muito dos produtos que viram na exposição

Dentro do vosso sortido em Portugal, qual a percentagem que, atualmente tem origem portuguesa.

Atualmente temos 170 produtores que trabalham connosco diariamente e que produzem cerca de 50 mil toneladas de produto português e com o selo “Origens”, em mais de 230 produtos. Ao início de 2016 temos três mil hectares semeados com produtos “Origens” e vamos chegar, ainda no primeiro quadrimestre do ano, aos onze mil hectares. Sendo que cerca de 40% do que vendemos nas nossas lojas é produto fresco.

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Fazem uma venda mais local dos produtos ou “espalham” os produtos de norte a sul.

O nosso modelo de negócio é um pouco diferente dos restantes retalhistas em Portugal. Temos as bases de frescos em Alcanena e Paços de Ferreira e aí temos a negociação central com produtores com alguma dimensão, com associações e algumas cooperativas que abastecem os 240 pontos de venda que temos no nosso país. Mas, localmente, como empresários locais que pagam os impostos nos concelhos onde estamos localizados, e gosto de sublinhar isso, compramos alguns artigos de produtores locais e de alguns nichos de mercado.

Em relação aos vossos 25 anos da presença em Portugal, o que estão a preparar para comemorar as “bodas de prata”?

Estamos a estudar o que vamos fazer mas certamente iremos focar-nos na campanha de verão com os muitos emigrantes e muitos franceses que conhecem os nossos produtos e as nossas lojas e nos visitam nessa altura. E iremos focar-nos no último quadrimestre do ano. Em relação ao balanço, como sabe somos o terceiro player do mercado nacional com uma quota de mercado de 9,9% e para 2016 queremos abrir 10 a 12 lojas para consolidar a presença no mercado nacional. Estamos contentes porque conseguimos agarrar a nossa bandeira de especialistas de frescos e vamos continuar a sê-lo e queremos continuar a estar com a produção nacional, somos o grupo mais português de Portugal e privilegiamos o fato de estarmos próximos da produção. Desde há 25 anos que estamos implantados em regiões onde agora a nossa concorrência está a começar a ir. Fomos o grupo que deixou um pouco de parte Lisboa e Porto e fomos desbravar outras regiões.
Isso quer dizer que o vosso consumidor tipo é mais rural do que urbano?

Creio que não se pode delinear como tal. Mas ainda dentro do balanço dos 25 anos, fomos para locais onde ninguém queria ir e com casos de muito sucesso. Estamos em 120 concelhos em Portugal e temos presença em todos os distritos, mas estamos a olhar para oportunidades em outras zonas.
Poderão fazer o movimento contrário aos vossos concorrentes e passar a abrir novas lojas em centros mais urbanos?

Estamos sempre atentos ao mercado e às oportunidades. Tal como aconteceu com a aquisição das lojas do Alisuper. Mas a questão de lojas mais urbanas, nomeadamente na Grande Lisboa e no Grande Porto, não se coloca de parte. Sobretudo sabendo que 35% da população está nestas zonas. E por isso não colocamos de parte abrir lojas com um conceito de lojas mais pequenas, a prova disso foi a recente abertura de lojas, uma em São João do Estoril e outra em Santo António dos Cavaleiros que estão na malha urbana de Lisboa.

E falando ainda de 2015, sentiram a retoma económica? Sentiram isso no exercício do ano passado

Fizemos um ano de 2015 idêntico a 2014, e estamos com esperança depositada em 2016. Mas se há uma retoma é envergonhada e ainda não se conseguiu ver na sua plenitude. As últimas três semanas de 2015 foram fantásticas e as primeiras semanas de janeiro foram igualmente boas, mas ainda é cedo para perspetivar este ano, como sabe, o mercado está maduro, o consumidor está muito informado, etc.

De qualquer forma, preveem crescimento ou manter as mesmas receitas?
Este ano, 2016, o objetivo de crescimento é de 3%.

E em relação aos números de faturação de 2015, quanto faturaram?
Faturámos 1350 mil milhões de euros, o mesmo valor que em 2014.

E em relação às MdD vão apostar mais nas vossas marcas ou já chegaram a um ponto de equilíbrio entre MdD e MdF?

Nunca iremos tirar visibilidade às marcas da industria, somos claramente pró marca. E neste momento 27% dos nossos lineares têm MdD.

No ano passado fizeram uma aposta no conceito “Drive”. Como está a correr este projeto? Vamos começar a alargar a outras lojas?

Temos oito lojas com o conceito de e-commerce e conceito Drive e todas elas a terem bons resultados, das quais quatro lojas correram muito bem. Para 2016 estamos a pensar abrir mais 16 lojas para o e-commerce.

E porque razão essas 4 lojas correram bem, há alguma razão aparente?

Tem a ver como os donos das lojas por aquilo que eles promovem e comunicam localmente. No nosso modelo de negócio, cada loja é a sua própria plataforma, tem o seu kardex local, sabe das necessidades do seu consumidor,e o serviço prestado é feito pelo dono da loja, é uma grande diferença em relação a outros retalhistas.

Se comprarmos o e-commerce com o que se passa em países como a França e o Reino Unido, o momento em Portugal é muito primário e vem aí uma revolução, ou no mercado português ou o online em Portugal será sempre uma pequena parte do negócio?

Penso que há-de ser sempre uma será parte pequena do negócio, o futuro o dirá. Neste momento os consumidores estão a começar a fazer estas descobertas. Iremos avançar lentamente para isso, embora o consumidor português goste de tocar, de cheirar de ver, etc. Por isso penso que, nos produtos frescos, o crescimento será mais lento.