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Opinião: A feroz nanoconcorrência

Opinião: O futuro das compras

Parece existir uma ligação, antes completamente ignorada ou inimaginável, entre a utilização de algoritmos matemáticos, por parte dos analistas financeiros e as situações de crise económica ou financeira, ocorridas nos últimos anos em todo o mundo.

Aparentemente, estes algoritmos estão a competir entre si naquilo a que alguns cientistas americanos designam por “uma guerra invisível” que, através das oscilações selvagens verificadas nas transacções financeiras, está a aumentar e muito o risco sistémico de derrocada dos sectores financeiros.

 

Deste conflito surdo e virtual (quem diria que os algoritmos tal como os seres humanos também são extremamente competitivos entre si…?), desta desenfreada concorrência algorítmica, resultam uma quantidade de cisnes negros, os tais acontecimentos súbitos, inesperados e demolidores nas suas consequências, geradores de convulsões sistémicas que nos atingem a todos em todo o lado.

Esta descoberta é relatada pela revista New Cientist de Fevereiro que refere terem existido 18.520 destes cisnes negros ocorridos entre 2006 e 2011 com a duração de um segundo e meio cada, numa média de 12 eventos por cada dia de negociação nos mercados financeiros, no estudado período de seis anos, em que se enquadra todo o colapso financeiro de 2008 e os consequentes e nefastos acontecimentos em cascata, dos anos seguintes.

 

Assim, não são só os investidores que possuem aquilo a que Keynes designava por alma animal, pois também estes novos agentes automáticos parece estarem possuídos por uma similar alma microbial.

Neil Johnson, um dos cientistas da equipa do Departamento de Física da Universidade de Miami que estuda este fenómeno, afirma mesmo que estes agentes virais são mais simples que os existentes nos humanos ou nos animais, mas muito mais rápidos e mais parecidos com os organismos existentes no período inicial de vida na Terra.

 

E a grande questão que se levanta é a de saber como é que este mundo digital, que vive numa dimensão de tempo abaixo do segundo, povoado por este tipo de micróbios, vai evoluir. “É como se fosse um lago cheio de piranhas de diferentes tipos com um nível de concorrência extremamente feroz, “compara o cientista.

Não é tão interessante ver a semelhança entre este nano mundo e o mundo dos mercados, das empresas, dos produtos, dos serviços e, no fundo, de todos nós?

 

  

José António Rousseau

Consultor e docente do IPAM/IADE

www.rousseau.com.pt

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