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Mercadona fatura 24,3 mil milhões em 2018

Mercadona fatura 24,3 mil milhões em 2018

A Mercadona obteve, em 2018, uma faturação de 24,3 mil milhões de euros, correspondendo a uma subida de 6% face aos 22,9 atingido em 2017. Este resultado foi obtido, segundo Juan Roig, presidente do Conselho de Administração da Mercadona, “através da confiança dos ‘Chefes’ [cliente] e a aposta firme na oferta do sortido com a melhor relação qualidade-preço que satisfaz as suas necessidades”, adiantando ainda que a Mercadona detinha, no final de 2018, uma quota de mercado de 27,5% no mercado espanhol.

O maior retalhista alimentar espanhol terminou 2018 com 1.636 lojas, tendo aberto 29 novos supermercados e encerrado 20 que não estavam ajustados aos parâmetros de dimensão e comodidade da cadeia. Adicionalmente, no âmbito do processo de mudança constante para continuar a ser a melhor opção para o “Chefe”, a Mercadona continuou a modernizar a rede de supermercados, tendo terminado o ano com 400 supermercados com o novo Modelo de Loja Eficiente (Loja 8) e com a reorganização de 215 lojas, esperando finalizar 2019 com um novo investimento histórico de mais de 2.300 milhões de euros.

Para o presidente da Mercadona, Juan Roig, “2018 foi um ano de muitas iniciativas transformadoras para a empresa. Os resultados deste projeto de transformação disruptiva, que começou há dois anos, não seriam possíveis sem os esforços desenvolvidos pelas 85.800 pessoas da Mercadona para garantir todos os dias, com a sua rotina de trabalho, a satisfação dos ‘Chefes’, os nossos clientes”.

De acordo com Juan Roig, “todos nós, que formamos a Mercadona, estabelecemos para 2019 um desafio claro: perseguir um crescimento sustentável baseado na eficiência, diferenciação, sustentabilidade e inovação, com a determinação e humildade necessárias para corrigir os erros que cometeremos no caminho e para continuar a construir um projeto que as pessoas queiram que exista e que aposte no crescimento partilhado”.

Na apresentação de resultados de 2018, Roig aplicou uma máxima que teve oportunidade de ler no livro “Capitalismo Consciente”: “Da mesma forma que as pessoas não vivem só para comer, as empresas não existem apenas para fazer lucros; agora, as pessoas não podem viver sem comer e as empresas não podem viver sem lucros”.

Em 2018, a Mercadona obteve lucros de 760 milhões de euros (antes impostos), face aos 402 milhões de 2017 (+89%), com os lucros líquidos do retalhista a aumentarem 84% para os 593 milhões de euros, ou seja, mais 271 milhões que no exercício anterior.

Já o EBITDA da companhia passou de 754 milhões de euros para 1,195 mil milhões.

Quanto aos investimentos, a Mercadona anunciou uma revisão no seu plano 2019-2023, aumentando o seu valor para os próximos cinco anos para 10 mil milhões de euros, não se sabendo quanto será alocado à operação em Portugal, onde, em 2018, investiu 60 milhões de euros num acumulado de 160 milhões, desde 2016.

Para o atual exercício foi anunciado um investimento global de Investimento 2,3 mil milhões de euros (+50%).

Mas nem tudo foram boas notícias, já que o presidente do Conselho de Administração da Mercadona, anunciou, igualmente, que o lucro líquido deverá descer 27% para 435 milhões de euros, admitindo, no entanto, que “os resultados serão estes e iremos bater-nos por eles, sempre em favor do cliente, ou melhor, ‘Chefe’ e da sustentabilidade.

Um dos pontos que Roig frisou bem, foi a aposta na Loja Eficiente e o plano de reconversão das mesmas, esperando que, em 2023, o processo de renovação dos pontos de vendas esteja concluído.

‘Pronto a Comer’ estratégico em Portugal

Outras das apostas que Roig salientou foi o “Pronto a Comer”, explicando o responsável da Mercadona que “a cozinha do séc. XXI não existia no séc. XX”.

Este conceito será, aliás, uma das grandes apostas da Mercadona para Portugal, explicando Roig que “os portugueses comem de forma diferente dos espanhóis”, indicando que o conceito de “Pronto a Comer” terá, naturalmente, diferenças entre as 35 ofertas que possui, atualmente, em Espanha.

Esta diferença vai ser, de resto, visível no restante sortido que será oferecido em Portugal, já que, segundo Roig, “em exemplos como os vinhos ou os queijos, somos completamente diferentes em Espanha”.

O centro de co-inovação, localizado em Matosinhos, assume essa função de estudar e analisar as diferenças que existem entre os gostos portugueses e espanhóis, de modo a adaptar da melhor forma a oferta de produtos aos “Chefes” portugueses.

Destaque, por isso, para o aumento no volume de compras a fornecedores portugueses, que, em 2018, atingiu os 88 milhões de euros, uma subida em volume de compras de 40% em comparação com o ano anterior e que, segundo o responsável da companhia irá continuar, até para ir ao encontro de uma das máximas que passa por ter fornecedores especializados em cada produtos, de forma a ir ao encontro das exigência do …. “Chefe”.

*o jornalista viajou para Valência a convite da Mercadona