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Retalho

“As nossas expectativas para a abertura da Preloved são elevadas”

Preloved Portugal D.R.

A Preloved abriu esta terça-feira, dia 30 de janeiro, no Aeroporto de Lisboa mais um espaço comercial. A marca que aposta no luxo em segunda mão para o segmento de consumidor do travel retail, diz-se entusiasmada com esta abertura, isto depois de uma parceria além-fronteiras que trouxe bons resultados.

Confira a entrevista da Distribuição Hoje a Alain Brun, CEO da Portugal Duty Free, onde se abordaram temáticas com o a sustentabilidade ou os aspetos mais valorizados pelo consumidor.

 

Quais as vossas expetativas com a abertura deste espaço da Preloved?

As nossas expectativas para a abertura da Preloved são elevadas. Trata-se de um conceito pioneiro e inovador no segmento de travel retail, que trazemos para Portugal para dar resposta às necessidades de consumidores cada vez mais exigentes e conscientes do ponto de vista ambiental.

 

Embora a inauguração oficial tenha decorrido em janeiro, a abertura ao público aconteceu em dezembro e os excelentes resultados deste primeiro mês vieram validar a certeza desta nossa aposta, enquadrada na estratégia de ESG da Portugal Duty Free.

Abriram um primeiro espaço deste género (ARI) no Montréal Trudeau International Airport, em 2021. Qual a recetividade que sentiram?

 

A recetividade foi muito positiva. Este resultado, reforçou a estratégia de abrir a Preloved em Portugal. A razão para este sucesso é o acesso a marcas de luxo, a  preços 50% a 60% inferior, cuja qualidade é garantida numa aquisição em segunda mão, numa oferta de produtos únicos, vintage, peças icónicas e clássicas.

No lançamento deste espaço comercial, Alain Brun, Portugal Duty Free Chief Executive Officer, lembrava que o consumidor está mais consciente do seu impacto, mas que ao mesmo tempo procura edições limitadas, artigos vintage, etc. É uma tendência que veem intensificar-se? Podemos esperar mais novidades neste segmento (circular retail)?

 

A sustentabilidade e a preocupação ambiental são imperativos para as empresas e os consumidores assim o exigem. A Portugal Duty Free surge de uma joint venture entre a ANA – Aeroportos de Portugal e a ARI (Aer Rianta International) e esta é uma preocupação central em todas as empresas do grupo da VINCI Airports, que assume metas ambiciosas na descarbonização em todos os setores de atividade, pelo que este será certamente um caminho que continuaremos a percorrer em conjunto em todas as áreas de negócio, aviação ou extra-aviação, onde se inclui  a oferta comercial.

No segmento de beauty este imperativo é materializado, por exemplo, na disponibilização de formatos refill, assim como, na integração no nosso portfólio de marcas com estas preocupações na sua matriz, proporcionando ao consumidor uma oferta variada e com opções adequadas às suas exigências.

Paralelamente, estamos a trabalhar para que o packaging das lojas multimarca da Portugal Duty Free seja reciclável, promovendo a sua reutilização. No caso da Preloved o packaging é 100% reciclado, quer nos tecidos, quer nos sacos de papel.

Como se cruza a ‘segunda-mão’ com o travel retail e porquê fazê-lo em Portugal?

Este cruzamento acontece de uma forma muito natural. É possível porque assistimos a uma tendência crescente da exigência dos consumidores, cada vez mais consciente e informado, por produtos e serviços que correspondam a escolhas mais sustentáveis. As empresas procuram corresponder a esta tendência. Na verdade, os temas ESG são estruturantes na estratégia de qualquer organização responsável e com visão de futuro. Uma tendência que é transversal a todos os setores e, por isso, também no travel retail, e segmentos de luxo e beleza.

Com a Preloved temos, por um lado, o conceito de segunda mão, a circularidade em ação dando aos produtos uma nova vida, que torna o preço dos produtos bastante atrativo para o nosso consumidor, por outro lado, a possibilidade de poderem ter acesso a produtos exclusivos de edição limitada.

Em termos de espaço comercial, o que distingue esta oferta das restantes?

Sem dúvida, três aspetos fundamentais: por um lado, o preço de venda ao público, que, por ser um artigo em segunda mão, é bastante inferior e competitivo; adicionalmente, cada produto adquirido foi submetido a um controlo minucioso, com a garantia de que todos os produtos são 100% autênticos; por outro lado, o acesso a peças vintage de marcas de luxo como Prada, Chanel, Bottega Veneta, Dior, Yves Saint Laurent ou Louis Vuitton.

Têm planos de expansão da oferta de lojas para 2024?

No nosso portfólio contamos com mais de 30 lojas multimarca e fashion nos sete aeroportos nacionais onde operamos. Ao todo, falamos de mais de 32.000 referências, às quais se juntou mais recentemente uma loja pop up da Vista Alegre e a Calvin Klein.

Vamos continuar a trabalhar na melhoria da experiência do passageiro, reforçando simultaneamente o sense of place, a portugalidade, fomentando o melhor de cada região onde estamos inseridos. Levamos muito a sério a experiência que proporcionamos aos passageiros, focados na qualidade do nosso atendimento e proporcionando momentos positivos e agradáveis, para tornar a totalidade da jornada do passageiro no aeroporto o mais tranquila possível.

O acordo assinado entre a ANA | VINCI Airports e a Aer Rianta International (ARI) data de 1 de junho de 2022. Previa-se a exploração e renovação dos espaços comerciais durante 18 meses. Este é o passo final dessa parceria?

Esta é uma parceria a médio prazo, de sete anos, com o objetivo claro de trazer para os aeroportos nacionais uma oferta comercial distinta e inovadora. Estamos na primeira fase da renovação dos espaços comerciais, que está a decorrer a bom ritmo. Muitas novidades chegarão em breve.

Com a recuperação dos valores de turismo após a pandemia, qual é o impacto do travel retail no setor de retalho em Portugal e como estão as empresas a responder aos desafios desse mercado específico?

O número de passageiros nos aeroportos nacionais tem vindo a aumentar para valores acima dos registados em 2019, uma recuperação exemplar e acima da média europeia em 2021 e 2022. Em 2023 mais de 66 milhões de pessoas passaram pelos aeroportos nacionais, a grande maioria teve a oportunidade de viver os valores da nossa marca.  Proporcionar uma experiência de compra positiva e impactante, que crie boas memórias, é um dos nossos maiores desafios.

Quais são as principais tendências no setor de travel retail em Portugal?

Algumas das tendências que observamos em Portugal refletem o que vemos acontecer globalmente. Destaco o crescimento do mercado de luxo, um caminho que a Portugal Duty Free tem vindo a seguir com as aberturas mais recentes, como é o caso da Preloved, e a sustentabilidade. O consumidor está cada vez mais ambientalmente consciente nas escolhas que faz e, também a Portugal Duty Free está mais atenta ao portfólio que define para as suas lojas. Acreditamos que a economia circular, com a redução de consumo, a reutilização e reciclagem de produtos são pilares fundamentais para a concretização deste objetivo que é de todos.

Algo que os passageiros que passam pelas nossas lojas nos aeroportos apreciam bastante são os produtos com sabor local. Estão de passagem por um país, por uma região, e querem sentir essa diferenciação face a outros aeroportos. É por isso que a portugalidade é tão importante para a Portugal Duty Free e procuramos imprimi-la na experiência de compra do cliente, seja através dos produtos locais que disponibilizamos, seja através de várias ativações nas lojas que têm por objetivo mostrar o que de melhor fazemos em Portugal, desde a música, à arte ou à gastronomia.

De que forma a experiência do consumidor no travel retail em Portugal se diferencia do retalho convencional e como as marcas estão a posicionar-se para proporcionar uma experiência única aos viajantes? 

Temos de ter em conta que a disponibilidade do consumidor no retalho convencional é completamente diferente: tem mais tempo, maior possibilidade de comparar e de programar a compra. No segmento de travel retail o consumidor tem outra predisposição: encontra-se de passagem, geralmente com pressa, preocupado com horários e procedimentos, num estado de espírito totalmente diferente de um consumidor de retalho num centro comercial, por exemplo. É um consumidor focado na sua viagem. É muito importante que a sua experiência seja positiva, simples. É por isso que a Portugal Duty Free trabalha  o conceito de sense of place da experiência na loja, integrado em todo o percurso do passageiro. Queremos mesmo proporcionar experiências únicas, num ambiente internacional e personalizado, criando memórias felizes nos passageiros.

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