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2014

Análise: 2014, um ano decisivo para a economia portuguesa

Análise: 2014

Um ano decisivo! O fim do programa de ajustamento económico e o início do Pós-Troika. Esperança e resiliência. Fazer mais com menos. Responsabilidade dos agentes políticos, aumento da colaboração entre retalho e produção. Estas são algumas das conclusões dos membros do Conselho Editorial (CE) da DISTRIBUIÇÃO HOJE sobre os prognósticos para a Economia portuguesa para o ano que agora começa. Saiba o que responderam Ana Isabel Trigo de Morais (APED); Rui Ventura (APPM); Pedro Pimentel (Centromarca); José António Rousseau (Fórum do Consumo); Manuela Botelho (APAN); Pedro Dionísio ( ISCTE-IUL); João Barros (ESCS) e João Catalão (POPAI).

As perguntas:

  1.  Em termos económicos, que prognósticos faz para o país em 2014?
  2. Quais os principais desafios e caminhos a percorrer que a Distribuição/Retalho/Produção irão ter em 2014?

As respostas:

 

Ana Isabel Trigo de Morais,  Diretora-Geral da APED:

1. É muito difícil fazer futurologia. O que sabemos é que 2014 é um ano decisivo para o nosso país. Marcará o fim do programa de ajustamento económico e financeiro e o início do período pós-Troika, em que a recuperação da normalidade, que não será imediata, é o grande desafio. Os sinais económicos começam a ser positivos mas ainda não são suficientemente estáveis. Espero que as decisões políticas sejam no sentido de se garantir a estabilidade necessária para que a economia cresça, se crie emprego e o investimento se concretize.

 

2. De uma forma geral, os mesmos que o país, sendo que as nossas preocupações se centram co crescimento do consumo interno e na redução do desemprego. A Distribuição e o Retalho têm feito um grande trabalho de resistência a favor do consumidor e da cadeia de valor, dando seguimento ao enorme esforço feito para dar resposta às reais e atuais necessidades das famílias. Em concreto, a introdução, por via legislativa, de entropias na cadeia de valor, o que poderá vir a ter impactos negativos para os consumidores. É difícil compreender medidas apresentadas pelo Governo que constituem dificuldades acrescidas para o crescimento económico e para a dinamização da procura interna em Portugal, tirando, ao mesmo tempo, competitividade aos fornecedores e empresas de pequena e média dimensão, que assim podem perder terreno para fornecedores internacionais. Considero ainda que o país tem ainda um grande desafio para vencer – reformar o Estado e a máquina da Administração Pública, simplificar as relações com as empresas e eliminar enormes bolsas de burocracia, que tantos recursos ainda consome à Economia Nacional.

 

 

Rui Ventura, Presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing (APPM)

1. Criar mais valor para os consumidores/parceiros utilizando os mesmos ou até menos recursos e essa será, na minha opinião, a receita para 2014. Felizmente a economia está já a dar sinais de retoma e espero que 2014 venha confirmar esta tendência e inverter os números de desemprego e de bem-estar social.

 

2. Os principais desafios que os sectores da Distribuição e Retalho irão ter em 2014 passam pela forma como implementa as suas estratégias multicanal,  de forma a otimizar soluções de negócio junto dos clientes, para ao mesmo tempo tentar inverter o abrandamento no consumo que temos vindo a registar.

 

Pedro Pimentel, Diretor Geral da Centromarca

1. Apesar de alguns indicadores apresentarem nos últimos meses resultados ligeiramente positivos, a evolução da conjuntura económica mostra ainda sinais pouco firmes de recuperação e uma menos boa gestão de expectativas pode levar a um rápido retrocesso. A aposta na exportação tem que ser conjugada com iniciativas de dinamização da atividade interna, geradoras de emprego e indutoras de consumo e de alguma recuperação da qualidade de vida perdida nos últimos dois/três anos.

2. A alteração dos padrões de consumo e a pressão-preço gerada pelo elevado esforço promocional, colocam desafios muito complexos de gestão de rentabilidade e sustentabilidade do negócio para marcas, fabricantes e retalhistas. A reorganização do mercado, o novo cenário legislativo e a necessidade de conter a euforia promocional irão obrigar a uma reorientação comercial de fornecedores e distribuidores, que se esforçarão por não perder volumes, mas, acima de tudo, conquistar valor.

João Barros, Professor Convidado na Escola Superior de Comunicação Social

1. Espera-se que 2014, não sendo já o o ano de saída do túnel (porque muito dificilmente isso acontecerá), seja, pelo menos, o ano em que já se veja a luz ao fundo dele. É que, até agora, ela tem estado apagada

2. Acho que não são muito diferentes, na sua essência, do que sempre foram: responder, de forma eficaz, às necessidades dos consumidores.

Pedro Dionísio, Professor de Marketing no ISCTE-IUL, Membro do Conselho Científico do Marketing FutureCast Lab

1. A situação ainda não é clara, verificando-se a emergência de duas posições distintas no interior do governo, com impacto na situação económica de 2014: a do novo Ministro da Economia Pires de Lima que, vindo do mundo empresarial, pretende apostar no crescimento; a da Ministra das Finanças, que aparenta pretender continuar na linha anterior de criar restrições à procura. Do lado das empresas, tem sido realizado um importante trabalho de aposta na internacionalização e, em alguns casos, na diversificação para novos mercados internos.

2. Perante tendências de consumo de que são exemplo Lean Consumption – Racionalização de compras e de consumo ou Cocooning – Retorno a casa (menor consumo na restauração), os produtores devem optar por estratégias que permitam uma diferenciação baseada em atributos verdadeiramente relevantes. Falamos da capacidade de flexibilizar a oferta tanto junto dos distribuidores como dos consumidores finais, mas também de tendências como ROPO Behaviour – Research Online Purchase Offline, o que obriga a maior informação e transparência online.

José Rousseau, Presidente do Fórum do Consumo:

1. Parafraseando o outro, gostaria de responder que prognósticos só no final do ano, mas nem será necessário esperar por essa altura para afirmar, sem qualquer receio de errar que, em termos económicos, será mais do mesmo, isto é, 2014 será, e não obstante alguns sinais positivos, uma repetição de 2013 em quase todos os aspetos.

2. De um modo geral continuará a suspensão da expansão orgânica com exceção dos pequenos formatos de proximidade. As constantes ações promocionais de iniciativa dos retalhistas ou dos produtores continuará a verificar-se numa verdadeira dopagem do mercado como aconteceu nos dois últimos anos. As vendas, no geral das categorias alimentares e não alimentares de FMCG, crescerão de forma tímida mas consistente dando sinais de ligeira recuperação do consumo.

João Catalão, Presidente da POPAI Portugal:

1. Incertezas por causa da falta de responsabilidade política: Os partidos ainda não perceberam que têm que convergir e colocar Portugal acima das suas traquinices e objetivos eleitorais. O atual “sistema” do “bota abaixo” não vai levar a lado nenhum. Portugal tem TODAS as condições para iniciar uma retoma económica efetiva em 2014. Há eleições o que pode prejudicar todo o entusiasmo, persistência, espírito de sacrifício de todos os empresários, gestores e profissionais que estão verdadeiramente envolvidos com o propósito de “dar a volta”. O meu prognóstico é simples: SE os políticos “se portarem bem”, demonstrando sentido de Estado, a “coisa” vai melhorar…

2. A “crise” aproximou uns, afastando outros! Há Produtores a “dar cartas” como nunca se viu e há Distribuidores e Retalhistas que passada a “crise”, estarão muito mais competitivos. As virtudes de trabalhar em Parceria, têm sido evidenciadas em vários situações, mas ainda estamos longe de atingir um verdadeiro paradigma de soluções de co-criação, alicerçadas em Parcerias fortes e efetivas. Como povo, temos uma herança muito individualista para gerir os negócios! O provérbio: “O segredo é a alma do negócio”, deverá evoluir para: A Partilha é a verdadeira “alma” do negócio”, ou: Juntos vamos mais longe! Afinal de contas, Produtores e Distribuidores, possuem um mesmo desafio: VENDER! Como a origem da palavra VENDER é: DAR E SERVIR, acredito que o maior desafio para ambas as partes, será conseguirem interiorizar que o contexto exige novos paradigmas de interação com o consumidor e isso só consegue se houver convergência de propósito entre Produtores/Distribuidores e Retalhistas.

Manuela Botelho, Secretária Geral da Associação Portuguesa de Anunciantes

1. Não são esperadas alterações económicas muito significativas no País embora nem todos os setores tenham comportamentos semelhantes. Uma coisa resultou claro do último estudo que a APAN encomendou sobre a Felicidade dos Portugueses: é que se por um lado é escusado as empresas fazerem de conta que não estamos em crise (as pessoas não aceitam essa sobranceria) por outro não parece ser o preço a única variável que os cidadãos valorizam na atividade de uma empresa. As pessoas precisam de sentir que podem contar com as empresas e que elas podem ser úteis em mais formas do que exclusivamente a venda de bens ou serviços.

2. Com tantas e tão significativas alterações a acontecerem no mercado considero que indústria e retalho têm mais a ganhar se aumentarem o nível de colaboração em que ambos ganhem e em que o país ganhe. É nas mãos da indústria e da distribuição que está grande parte da responsabilidade do país sair da crise já que sabemos que para isso é necessário que haja consumo interno. E para que haja consumo interno é necessário que continuem a ser criados postos de trabalho, o que só acontecerá se as margens não forem esmagadas e se continuar a investir numa comunicação de esperança e de confiança num futuro do qual todos possamos fazer parte. E é das empresas que os cidadãos mais esperam pelo que, bem geridas estas expectativas, melhor para todos. A tecnologia e a conveniência serão os fatores que mais contribuirão para o crescimento.

Leia na íntegra este artigo na edição de dezembro/janeiro da DISTRIBUIÇÃO HOJE

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