A Alibaba superou as estimativas de receita no segundo trimestre, impulsionada pelo crescimento do comércio “instantâneo” e pelo desempenho robusto da sua divisão de cloud. A gigante chinesa de e-commerce alcançou 247,80 mil milhões de yuans (35 mil milhões de dólares) em receitas, acima dos 242,65 mil milhões previstos pelos analistas. Ainda assim, o lucro ajustado por American Depository Share ficou aquém das expectativas, ao situar-se em 4,36 yuans, face aos 5,49 yuans estimados.
O trimestre decorreu num cenário de forte investimento no segmento de entregas em uma hora, à medida que os grandes players do mercado chinês disputam quota num setor onde os incentivos agressivos e os descontos intensificaram uma verdadeira guerra de preços. Este ambiente competitivo aumenta a pressão sobre margens, mas a Alibaba mantém vantagem relativa graças à sua dimensão, diversificação e capacidade financeira. Paralelamente, a empresa reforça a sua aposta estrutural na inteligência artificial, posicionando-se como um dos líderes tecnológicos do país. Em fevereiro, anunciou um investimento de 380 mil milhões de yuans ao longo de três anos para infraestruturas de IA e cloud, mas o CEO Eddie Wu admitiu que o montante poderá revelar-se insuficiente perante a procura crescente e os constrangimentos da cadeia de abastecimento. “Vamos investir agressivamente em infraestruturas de IA; os 380 mil milhões de yuans podem ser pequenos face à procura atual”, afirmou o responsável.
Apesar dos investimentos pesados, a Alibaba apresentou um lucro líquido de 20,61 mil milhões de yuans, uma queda de 53%, mas ainda acima das previsões dos analistas. Para Angelo Zino, analista da CFRA, estes investimentos — tanto no consumo como na IA — representam a construção de vantagens competitivas de longo prazo, mesmo que impliquem pressão sobre margens no curto prazo. A guerra de preços no instant retail, alimentada por subsídios de Alibaba, JD.com e Meituan, levou a um consumo de caixa significativo que a Nomura estima ter ultrapassado os 4 mil milhões de dólares só no segundo trimestre. Ainda assim, a Alibaba estima que o comércio instantâneo possa adicionar 1 bilião de yuans em valor bruto anual transacionado nos próximos três anos. A empresa afirma já ter registado melhorias na rentabilidade por encomenda, reduzindo os custos unitários para metade desde o verão.
O período do Singles’ Day, que se prolongou de outubro até 11 de novembro, trouxe descontos agressivos em toda a indústria e movimentou 1,70 biliões de yuans, acima dos 1,44 biliões do ano anterior, segundo a Syntun. A empresa tem também acelerado a entrada no mercado de IA de consumo, onde tem ficado atrás de rivais mais focados no utilizador final. Lançou recentemente uma aplicação gratuita baseada no seu modelo Qwen, que ultrapassou os 10 milhões de downloads na primeira semana, ainda longe do domínio da Doubao, da ByteDance, com 150 milhões de utilizadores.
Esta mudança ocorre num ambiente em que a IA chinesa vive a sua própria guerra de preços, desencadeada pela DeepSeek, cuja estratégia de computação de baixo custo obrigou os concorrentes a reduzirem preços. Entre o quick commerce, a expansão da IA e a pressão competitiva generalizada, a Alibaba procura equilibrar crescimento, investimento e rentabilidade num dos mercados tecnológicos mais acelerados e exigentes do mundo.
Alibaba disposta a perder mil milhões para abandonar retalho físico

D.R.
