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Ferrero publica lista de fornecedores de óleo de palma em esforço para aumentar a transparência

Com o óleo de palma no centro das atenções de várias associações ambientalistas e organizações de defesa do trabalho justo [1], a Ferrero, detentora da Nutella e da Ferrero Rocher, acaba de publicar a sua lista de fornecedores de óleo de palma de 2018 [2], reforçando o compromisso com a transparência na sua cadeia de abastecimento.

As exigências na rastreabilidade do óleo de palma adensaram-se quando, em 2018, o Parlamento Europeu anunciou que pretende banir as importações de óleo de palma para o espaço comunitário já em 2021, seja para utilização em biocombustíveis ou para produção alimentar.

No mesmo ano, em entrevista à DISTRIBUIÇÃO HOJE, Roberto Torri, diretor de Relações Institucionais da Ferrero Ibérica [3], revelava que a empresa estava a apenas 25% de atingir o objetivo de ter apenas matérias primas 100% sustentáveis na sua cadeia de abastecimento e que produzir sem óleo de palma “é uma utopia”.

Mais tarde, a ‘The Consumer Goods Forum’ e a ‘Fair Labor Association’, que integra multinacionais como a Metro e a Unilever, vieram dizer que o trabalho forçado na indústria do óleo de palma está longe de terminar [4], pedindo às empresas produtoras de bens de grande consumo que pensem no papel que podem ter para acabar com o problema.

Empenhada em mostrar que na sua cadeia de abastecimento não existem este tipo de práticas, a Ferrero iniciou em 2017 a publicação da lista de todos os seus fornecedores e diz agora estar preparada para fazê-lo duas vezes por ano.

A empresa diz ainda que vai seguir a abordagem ‘High Carbon Stock’, iniciativa adotada pelo Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO) em 2018. Em declarações à publicação ConfectioneryNews, um porta-voz da Ferrero diz que “a transparência é crucial para melhorar as nossas cadeias de abastecimento. Divulgamos regularmente estes relatórios de progresso que revelam quem são os nossos fornecedores, que descrevem a nossa abordagem e que revelam quais são os nossos próximos passos”.

A Malásia e a Indonésia são, atualmente, os dois maiores produtores de óleo de palma do mundo, com cerca de 86% da produção global e mais de 3,5 milhões de trabalhadores. Contudo, um estudo publicado pela Fair Labor Association para o The Consumer Goods Forum [5] indica que apesar dos esforços para o desenvolvimento de produções mais sustentáveis, existem ainda vários indicadores, nestes países, de práticas de trabalho forçado como violência, ameaças, falta de proteção do Estado e tempo de trabalho excessivo e involuntário.