Produção

Qualidade acessível a todos

A empresa familiar de massas, originária do sul de Itália, da região de Benevento, aposta num produto de alta qualidade acessível a todos. Exporta para 45 países e nos últimos três anos foi a marca que mais cresceu em Itália. Em Portugal, o objetivo é atingir uma quota de mercado de 3 a 5% do segmento das marcas de fabricante.

A Rummo é a 5ª empresa produtora de massa em Itália, sendo uma das três mais importantes do segmento Premium em volume e “tentamos ser a melhor em termos de qualidade, para proporcionarmos uma experiência única a comer e a cozinhar”, diz-nos o diretor-geral de vendas internacionais. Antonio Rummo salienta que o objetivo é produzir massa de qualidade mas a um preço acessível ao maior número de pessoas, seguindo o lema: “Good Food for All”.

“Queremos ser reconhecidos como uma empresa que produz massa de alta qualidade e partilhar este produto, que aperfeiçoámos ao longo de seis gerações, com o maior número possível de pessoas”, afirma, adiantando que “a mensagem que queremos passar é que com mais uns cêntimos, e estamos a falar de cêntimos, o consumidor pode ter uma massa de muito melhor qualidade”.

O responsável defende, em entrevista à DISTRIBUIÇÃO HOJE, que “fazer pasta de boa qualidade é uma arte, mas para o fazer todos os dias é necessária uma mistura entre arte e ciência”. Por isso, “por detrás das massas Rummo há a arte de seis gerações de fabricantes de pasta mas também a ciência e a investigação de muitos que estudaram a melhor forma de manter a qualidade todos dias, em todos os produtos, em cada embalagem”.

Quota de 3 a 5% em Portugal

A marca está presente há três anos em Portugal e Matteo Bergamo, representante da Rummo no nosso país, avança que o objetivo é atingir uma quota de mercado de 3 a 5% do segmento das marcas de fabricante.

Tem distribuidores em Lisboa e no Algarve, “falta-nos o Porto”, refere o responsável, apenas para o canal HoReCa, que “foi por onde começámos para ganharmos credibilidade, porque é um mercado onde o cliente percebe se o produto é bom ou não e que quer produtos de boa qualidade”, por isso, é na Makro que lança sempre os novos produtos. Matteo Bergamo acrescenta que “os nossos produtos permitem, por exemplo uma dupla cozedura, ou seja se um restaurante cozer massa a mais ao jantar pode aproveitá-la ao almoço, porque a nossa pasta tem uma garantia 18 horas de performance depois de cozinhada”. Isto em todos os seus produtos, no entanto, a empresa também tem uma linha específica para o HoReCa.

Mas a partir do segundo ano, diz o representante da marca em Portugal, “como o nosso objetivo é chegar à cozinha dos consumidores e sabemos que uma vez que experimentem já não deixam a marca”, a Rummo entrou na Sonae, Auchan e El Corte Inglés. “Porque apesar de termos um posicionamento premium queremos estar nas cadeias líderes de mercado, onde o nosso potencial cliente vai fazer as suas compras”, salienta Antonio Rummo.

“Também em Portugal temos visto um crescimento do consumo de massa de qualidade” mas é um mercado onde a Rummo quer aumentar a sua presença, aproveitando o potencial de crescimento, uma vez que os portugueses comem apenas 6kg de massa/per capita/ano, contra 26kg de arroz, por exemplo, “exatamente o contrário de Itália”, refere o responsável. Um objetivo que não implica que o consumo de massa vá crescer muito em volume e ocupar o espaço do arroz, pois o que “acontece normalmente é um processo de ‘premiumrização’, isto é, as pessoas estão dispostas a pagar um pouco mais para comer pasta premium, de melhor qualidade”.

Vendas internacionais em crescimento

Nos últimos três anos a Rummo foi a marca que mais cresceu em Itália e também tem uma forte implantação internacional, exportando cerca de 35% do seu volume de negócios para 45 países, com destaque para Europa e América do Norte, mas também vende as suas massas na Austrália ou Japão.

A exportação tem progredido e Antonio Rummo destaca que “temos visto uma tendência de crescimento no consumo de massa de elevada qualidade, por exemplo em França, um dos países mais importantes para nós e que foi o primeiro, fora de Itália, a preferir massa premium. Estamos bem também na Suíça e Dinamarca e na Alemanha estamos presentes apenas na área de Food Service, em restaurantes e lojas gourmet, mas temos ainda muito espaço para crescer em todos eles”.

O diretor-geral de vendas internacionais salienta que “nos países onde entramos os nossos produtos rapidamente se tornam dos que têm maior rotação entre o segmento de topo”.

Seguindo o seu mote de “Good Food for All”, na promoção dos seus produtos a Rummo aposta primordialmente em parcerias com restaurantes e não com chefs com estrelas Michelin, pois “preferimos os cozinheiros que estão de facto nas cozinhas dos restaurantes, utilizam os produtos todos os dias e escolhem os melhores ingredientes para cozinharem para os seus clientes. É com estes que temos parcerias em Itália, França e Portugal”.

A empresa italiana começa precisamente pelo canal HoReCa quando entra num país “porque dá credibilidade ao produto e leva a marca ao consumidor final, uma vez que a maioria destes restaurantes expõe o produto para que o cliente saiba o que está a comer, numa cultura de transparência que está muito na moda”.

Tradição e inovação

A Rummo tem um departamento de Investigação e Desenvolvimento e uma fábrica-piloto onde os produtos são criados e testados. A inovação acontece em duas áreas: nas receitas e nos formatos. No norte de Itália a fábrica mais recente está dedicada aos produtos Sem Glúten e às novas massas com mais teor de proteína e de fibra, e também destinadas ao mercado da Healthy Food com arroz integral, legumes e leguminosas (lentilhas e ervilhas, por exemplo), “uma forma mais fácil de dar legumes às crianças e é um segmento de mercado onde temos vindo a aumentar a nossa presença”. E na fábrica mãe, em Benevento, onde são feitas as massas tradicionais, também há inovação nos formatos e tamanhos, “para que sejam mais user friendly” e de acordo com os pedidos que têm dos clientes.

A junção de modernidade e tradição está igualmente na base do design das embalagens da pasta Rummo.

Inspirado pelo método champanhês dos produtores de espumante da região de Champagne, a Rummo foi a primeira a introduzir o conceito de método na produção de massa: o método Lenta Lavorazione (Fabricação Lenta), que tem por detrás anos de cultura e conhecimento, tendo nascido “como uma necessidade e transformando-se depois numa filosofia da empresa”. Inicialmente era preciso muito tempo a amassar para fazer uma pasta de qualidade e a empresa decidiu manter esse método “para respeitar a natureza do produto e dar tempo para que a massa fique com a consistência e qualidade pretendida”.

Moldes patenteados para massa certificada

Depois de amassada, a pasta passa por moldes de bronze desenhados pela empresa e patenteados para dar a forma às massas. O responsável frisa que “a Rummo tem a única pasta no mundo que usa moldes patenteados para o método de Lenta Lavorazione” e explica: “Porque queríamos ter uma massa muito bem prensada e extrusada por bronze para darmos aos nossos clientes a melhor massa em termos de tenacidade e elasticidade, para que a resistência à dentada seja excelente e absorva o molho. Recorrendo a uma palavra que é muito usada no vinho, esta pasta tem mais corpo, sente-se mais”.

Em termos de cozedura, Antonio Rummo afirma que esta massa tem também caraterísticas que a tornam única, porque “se estiver tempo demais ao lume ou se a pessoa fizer algo errado, a massa mantém-se firme e com a resistência adequada por muito mais tempo”, e acrescenta: “Por isso é que é muito boa para restaurantes, e é muito conhecida pelos cozinheiros e chefs em Itália, sendo um produto popular”.

O diretor refere ainda que “esta é a única massa que tem uma certificação do produto final em termos de performance de cozedura, tenacidade e elasticidade”, explicando que “temos um dinamómetro, que testa a textura do produto, e todos os lotes de produção são testados para garantirmos aos nossos consumidores que o produto é sempre igual em termos de tenacidade e elasticidade”.

Ao nível do fornecimento de matéria-prima, a Rummo trabalha também com organizações de produtores, moagens e universidades para encontrar as melhores variedades de trigo duro para as suas massas, garantindo sempre a qualidade das sementes, assegurando que não têm Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Antonio Rummo salienta que “apesar das alterações climáticas dificultarem a vida aos agricultores, como o trigo duro é quase um nicho da produção de cereais, comparada com o trigo mole, o milho e outros, e nós compramos apenas o de melhor qualidade, conseguimos as quantidades que precisamos”.

Uma empresa familiar com 172 anos

A empresa nasceu na zona de onde historicamente vem a pasta de qualidade italiana. “E nascemos ali porque há dois rios e inicialmente eramos apenas uma indústria de moagem, recebíamos o trigo da região da Apúlia e fazíamos a farinha. Mas depois fizemos um upgrade na nossa organização e começámos a fabricar massas”, conta-nos o diretor-geral de vendas internacionais.

Após seis gerações da família Rummo ainda é esse o core da empresa, no mesmo local mas com uma fábrica muito mais moderna, dedicada à produção de massa da melhor qualidade, usando trigo duro de qualidade, com um elevado teor de proteína (14,5%), “que lhe dá maior digestibilidade”.

Antonio Rummo, seguindo a tradição das famílias antigas em Itália tem o mesmo nome do avô, que por sua vez tinha o nome do avô e por aí adiante, tendo por isso o mesmo nome do fundador da empresa em 1846.

Mantendo também a tradição, o logótipo da empresa (uma carroça com sacos de farinha puxada por três cavalos) faz parte da história da companhia uma vez que são o desenho da carroça real, com os três cavalos – Bruto, Baiardo e Bello –, que distribuía a farinha ainda no tempo em que a empresa era apenas de moagem e ficou como símbolo de força e resiliência e de olhar para a frente, para o futuro.