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Opinião

Paulo Veiga: “2016 será um ano de desafios”.

2015 foi um ano particularmente importante para o Continente. No dia 10 de dezembro de 1985, o Continente abriu a sua primeira loja, em Matosinhos. A abertura do primeiro hipermercado em Portugal marcou o princípio de uma revolução no mercado da distribuição nacional, onde até então o panorama do retalho alimentar estava completamente atomizado em pequenas mercearias de bairro. Em trinta anos, tudo mudou. A marca evoluiu e modernizou-se, adaptando-se às tendências do setor e inspirando-se naquilo que de melhor se faz a nível internacional.

2016 será um ano de desafios. No panorama nacional, o mercado continuará a assumir-se complexo e competitivo e o consumo a apresentar sinais menos tímidos de crescimento.

Os retalhistas devem estar preparados para adequar as suas propostas de valor a um mercado cujos padrões de consumo estão em profunda mutação devido às alterações demográficas, sociais e económicas, em particular nos países Europeus. A população europeia está a envelhecer e até 2020 a percentagem de população com mais de 55 anos representará mais de um terço da população total. Será também uma população com mais formação, pelo que chegará mais tarde ao mercado de trabalho, terá menos filhos. Os consumidores que têm vindo a adotar comportamentos mais racionais, provavelmente, vão manter os comportamentos mesmo com a economia já recuperada.

O consumidor está a tornar-se mais consciente e preocupado com o ambiente e valoriza cada vez mais o acesso à informação sobre a origem dos produtos que consome. Variáveis como o país de origem, os processos de produção e a pegada ecológica associada a cada produto começam já a ser preocupações de hoje e ganharão um peso crescente na decisão de compra, no futuro do retalho. Também as boas práticas ambientais, nomeadamente, a implementação de medidas de poupança energética e hídrica, a gestão de resíduos, as crescentes preocupações com bem-estar animal e o combate ao desperdício alimentar serão preocupações centrais para o consumidor e em

Em simultâneo, o aumento da informação disponível sobre os produtos e a proliferação da tecnologia causam uma enorme pressão sobre os preços, o que cria uma clara tendência para um reajustar das propostas de valor dos vários atores do mercado. A variável promoção também continuará a ter um grande peso nas vendas – Portugal é atualmente o 1º país da Europa com maior intensidade promocional.

Nos próximos anos, a tecnologia e a transparência serão dois eixos cuja importância será crescente, na relação entre as marcas e os consumidores. A geração y – que cresceu num mundo digital, com comunicação em tempo real, faz compras de forma cada vez mais exigente. Esta geração avalia o valor percebido dos produtos e serviços em tempo real e compara permanentemente opiniões e informações, de modo a assegurar a mais ampla satisfação. É esta geração que, através da tecnologia e comunicação, desenha o futuro do mercado, do consumo e do retalho, criando uma perspetiva desafiante no que respeita a evolução das lojas.

As lojas de hoje têm de ser modernos polos sociais e culturais e juntar o melhor do comércio tradicional, às especificidades e comodidade de lojas especializadas. Nos espaços físicos, o futuro passa pela conciliação de experiência, serviços, relacionamento, orientação e interação, através de diferentes canais de vendas dentro da loja física. A criação de soluções cada vez mais próximas, convenientes e que acrescentem valor ao cliente são também grandes desafios para o próximo ano. O futuro passa pelas marcas e empresas trabalharem cada vez numa lógica de personalização e co construção – entre consumidor e retalhista – da melhor proposta de valor e nesse aspeto, o Continente continuará a oferecer o melhor preço associado ás vantagens mais competitivas fizeram de nós líderes nestes 30 anos de sucessos que completámos em 2015.

Em 2016, a cada dia vão surgir novos players na cadeia de valor, a inovação tecnológica vai continuar a traçar novos caminhos, as vendas a ser o objeto principal da atividade e o consumidor, o eixo central de todas as operações.