Análise GfK

O negócio dos brinquedos não é para “brincadeiras”

O negócio dos brinquedos não é para “brincadeiras”

Mais uma vez o mercado português de brinquedos superou todas as expectativas e em 2018 voltou a crescer, cerca de 4,8% em valor, superando os 215 milhões de euros, isto sem considerar consolas e videojogos.

As categorias que impulsionaram este crescimento e por ordem de importância no mercado foram “Bonecas” (+24%), “Jogos/Puzzles” (+9%), “Diversos/Outros Brinquedos” (+24%) e “Artes e Trabalhos Manuais” (+20%).

Com estas tendências o segmento “Bonecas” passa a destacar-se em termos de importância no mercado representou aproximadamente 1/5 do mercado, em 2018, e no último trimestre de 2018 atingiu os 23% de mercado. O crescimento desta categoria é impulsionado pelo segmento “Playset” onde se encontram as bonecas mais pequenas e onde as mais relevantes foram as bonecas LoL.

O negócio dos brinquedos não é para “brincadeiras”Mais oscilante, mas sendo ainda a segunda categoria mais importante do mercado, a categoria “Infantil e Pré-escolar” perdeu algum fulgor em 2018, desceu de 16,3% para 15,3%, sendo no último trimestre do ano que esta categoria atinge os valores mais altos.

A destacar também a tendência constante de crescimento da categoria “Jogos/Puzzles” que apesar de representar apenas 11,4% tem ganho quota todos os anos. Nesta categoria destaca-se o segmento “Jogos de Família” que estão a ganhar importância e já representam 40% do mercado de “Jogos e Puzzles”, e o segmento “Jogos Infantis/Pré-escolares” com 36% apesar de ter perdido importância, pela negativa o segmento “Puzzles” que desce de 18% para 14%.

Com um dos mais altos crescimentos aparece também o segmento “Diversos/Outros brinquedos”, nesta categoria os brinquedos científicos representam ¼ da categoria, mas a destacar tudo o que tem a ver com colecionáveis/minifiguras que no conjunto passam de 30% para 38% no total da categoria, tendo sido mais uma vez uma das tendências mais fortes do ano.

O negócio dos brinquedos não é para “brincadeiras”Uma tendência que tem vindo a acentuar-se é a perda de importância de brinquedos associados a determinada licença, tendo o produto licenciado apenas 23% do mercado em 2018 quando, em 2017, representaram 26%.

A sazonalidade do mercado é forte, com o último trimestre a representar 60% do mercado. É certo que nos últimos anos tem vindo a perder importância, mas na casa de um ponto percentual ao ano, o mercado tenta encontrar novos momentos de compra e tem conseguido fazer com que os períodos da Páscoa e o Dia da Criança ganhem importância e crescem acima da média do mercado.

A título de curiosidade e se considerarmos crianças até 11 anos (aprox 1,2 milhões em Portugal) foram gastos, em 2018, cerca de 179,7 euros em brinquedos por criança, valor superior ao de 2017 que tinha sido de 171,4 euros.

O negócio dos brinquedos não é para “brincadeiras”Quanto às tendências para 2019, muito se fala da continuação dos colecionáveis, do Unboxing ou do momento ““Wow”, do Fortnite seguindo o sucesso que alcançou nos videojogos e também não esquecer de novos filmes infantis a surgir em 2019, que acabam sempre por ter influência no mercado.

Cada vez é mais difícil de prever quais as tendências deste mercado. As crianças de hoje têm mais oferta, acesso cada vez mais cedo à tecnologia (consolas, telemóveis, etc.) e mesmo os meios pelos quais são influenciados estão a mudar. Se no passado os tradicionais influenciadores eram os filmes ou as series infantis, o youtube/youtubers ganham cada vez mais importância.

*este artigo foi publicado originalmente na edição 472 da revista Distribuição Hoje