Brexit

Vitória do Brexit “constitui uma perda para as empresas e para a economia portuguesas”

O mundo acordou esta sexta-feira (24 de junho) em choque com o resultado do referendo aos britânicos que vai ditar a saída do Reino Unido da Europa a 28. A decisão de saída da união britânica da União Europeia já levou à demissão do primeiro-ministro David Cameron e começa-se agora a avaliar que outras consequências poderá o mundo sofrer.

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) emitiu entretanto um comunicado em que defende que o referendo realizado no Reino Unido é “uma má notícia para Portugal e um sério aviso para a Europa”.

Na nota enviada às redações, a associação refere que “ao confrontar a União Europeia e todos os outros 27 Estados-Membros com a necessidade de repensar o projeto europeu, requer que o processo que se irá seguir seja pautado pela serenidade e aproveitado para aprofundar e aperfeiçoar o funcionamento do Mercado Único.”

“A decisão do povo britânico tem fortes implicações políticas, económicas e empresariais. Mesmo admitindo que os participantes no referendo possam ter acrescentado alguma coisa à sua vivência democrática, representa um revés para esta União Europeia”, continua.

“Está já a ter gravosas consequências nos mercados financeiros, podendo atrasar ainda mais a construção da União Económica e Monetária Europeia. Interfere negativamente no comércio internacional e subtrai riqueza ao PIB mundial. Neste quadro, a vitória do ‘Brexit’ constitui uma perda para as empresas e para a economia portuguesas. O excelente relacionamento entre os povos português e britânico e a secular aliança entre os dois países, no entanto, não estão em causa. Para os empresários portugueses, a alternativa a considerar é reforçar e melhorar esse relacionamento e dar-lhe uma nova dimensão económica, valorizando a fachada atlântica da Europa” sublinha a organização.

O comunicado da Associação Empresarial de Portugal conclui referindo também que “o Reino Unido pode ter deixado a Europa, mas Portugal jamais poderá perder o seu mais antigo aliado. Há, por isso, razões de sobra para todos os agentes políticos que irão ser chamados, no Reino Unido e na Europa, a traduzir em atos uma decisão democrática do povo britânico serem confrontados com a responsabilidade histórica de não transformarem num divórcio litigioso a renúncia, democraticamente legítima, de um dos 28 Estados-Membros da UE aos fundamentos do projeto europeu. A situação exige bom senso a todos e abre caminhos novos aos povos europeus que continuam a acreditar num futuro de paz, bem-estar e desenvolvimento económico no único continente que num século foi palco de duas guerras mundiais. Aos líderes e dirigentes das diferentes instituições da UE, é de pedir um total empenhamento no reforço das políticas e dos meios que promovam a matriz civilizacional europeia, o bem-estar dos seus povos, o crescimento económico e o emprego.”