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Retalho

Vendas no retalho americano caem 11% em 2020

Walmart_EUA

O setor de retalho dos EUA pode levar anos para se recuperar do impacto do coronavírus, e o impacto pode ser pior do que o da Grande Recessão. De acordo com a última previsão do eMarketer sobre as vendas no retalho dos EUA (que incluem automóveis e combustíveis), as vendas totais do setor deverão registar uma quebra de 10,5%, em 2020, ou seja, mais acentuadas do que a quebra de 8,2% registada em 2009.

O comércio eletrónico, por sua vez, é o único ponto positivo, aumentando 18% neste ano, à medida que os americanos confiam cada vez mais em players como a Amazon e outros retalhistas online.

Globalmente, as vendas do retalho nos EUA deverão atingir, em 2020, 4,894 biliões de dólares (cerca de 4,3 biliões de euros), um nível não observado desde 2016.

Estas estimativas pressupõem que medidas de distanciamento social, que foram gradualmente levantadas em maio, continuarão a diminuir e a atividade económica recomece lentamente no terceiro trimestre.

As previsões do eMarketer indicam, aliás, que o total das vendas no retalho não recuperará para os níveis de 2019 até 2022.

“Esta é a quebra mais acentuada das vendas do retalho em décadas nos EUA”, admitiu o analista sénior do eMarketer. “Em apenas algumas semanas, enquanto os americanos se protegiam, as vendas no retalho caíram drasticamente em março. Com as vendas a atingir o ponto mais baixo do ano no segundo trimestre, estimamos que levará anos para que a atividade retorne aos níveis normais”, admite o mesmo responsável do eMarketer.

Os números do eMarketer avançam, desde logo, uma quebra nas vendas em todas as categorias de Fast Moving Consumer Goods (FMCG), exceto alimentos e bebidas, saúde e beleza. O total de vendas de alimentos e bebidas deverá crescer 12,5% este ano, ultrapassando os 1,1 biliões de dólares (cerca de 975 mil milhões de euros), enquanto as vendas da categoria de saúde e beleza deverão crescer 6,9%, para 556 mil milhões de dólares, ou seja, quase 495 mil milhões de euros.

Físico em queda, online a subir
As vendas das lojas físicas, refere o eMarketer, cairão, em 2020, 14% para 4,184 biliões de dólares (cerca de 3,7 biliões de euros), estimando-se que demore cinco anos para as vendas offline voltarem aos níveis pré-pandémicos.

Já o online, embora não seja suficiente forte para compensar as perdas do comércio físico, consegue atenuar a gravidade do declínio do retalho no seu global. As vendas de comércio eletrónico deverão subir 18%, atingindo os 710 mil milhões de dólares (cerca de 630 mil milhões de euros), representando não mais do que 14,5% do total de vendas no retalho dos EUA em 2020.

“Tudo o que estamos a ver com o comércio eletrónico é algo sem precedentes, com taxas de crescimento que superam tudo o que vimos desde a Grande Recessão”, salienta o analista principal da eMarketer, Andrew Lipsman. “Certos comportamentos de comércio eletrónico, como compras online e click&collect, catapultaram, permanentemente, três ou quatro anos em apenas três ou quatro meses”.

Segundo os especialistas do eMarketer, as principais evoluções no e-commerce dos EUA deverão ser registas em categorias como alimentos e bebidas (+58,5%) e saúde/cuidados pessoais /beleza (+32,4%), à medida que os americanos se voltam para pedidos online de itens domésticos essenciais. Vestuário e acessórios, a segunda maior categoria de comércio eletrónico em vendas totais, deverá crescer apenas 8,6%, à medida que os consumidores mudarem os gastos de categorias mais discricionárias e não essenciais.

Pela primeira vez, a Walmart superará o eBay como 2.º retalhista no e-commerce dos EUA, cabendo a liderança à Amazon de Jeff Bezos.

“A Amazon aumentará a sua participação no mercado de comércio eletrónico para 38% e ampliará o seu domínio”, admite Lipsman. “Mas os grandes retalhistas estão a aproveitar os seus modelos de click&collect para acelerar os negócios de e-commerce”, conclui o responsável do eMarketer.