Economia

Triplicam empresas a trabalhar com prazos de pagamento superiores a 120 dias

Apenas 14,5% das empresas nacionais cumpriu prazos de pagamento em 2019

Segundo o estudo elaborado pela Crédito y Caución e Iberinform, 85% das empresas deve aceitar prazos superiores aos desejados, provocando, assim, um agravamento dos prazos de pagamento nas operações comerciais devido ao atual contexto económico.

Segundo este estudo, no qual participaram mais de 300 gestores de empresas de todas as dimensões e setores, 13% trabalha com mais de 120 dias, uma taxa que praticamente triplica a de 2019. Apenas 27% das empresas opera com os prazos inferiores aos 60 dias contemplados no Decreto-Lei n.º 62/2013 de transposição da Diretiva Europeia de medidas de luta contra os atrasos de pagamento nas transações comerciais. Há um ano, praticamente metade do tecido empresarial (42%) trabalhava com menos de 60 dias.

 

85% das empresas tem de aceitar prazos de pagamento superiores aos desejados para poder manter a sua carteira de clientes. O estudo revela pior comportamento nas PME do que nas grandes empresas. 37% das empresas teve de aceitar prazos de pagamento superiores aos desejados por parte de grandes empresas, frente a 58% que teve que alargar os prazos para trabalhar com o segmento de PME. Este comportamento está relacionado com outras evidências reveladas pelo estudo, como o aumento dos problemas de liquidez do tecido empresarial. O melhor comportamento regista-se no setor público. Apenas 8% das empresas que têm relações comerciais com a Administração Pública tem de aceitar uma extensão dos prazos de pagamento. A capacidade dos profissionais liberais para impor prazos de pagamento também se situa nos 28%.

Nesse sentido, ao abordar as razões que explicam a morosidade empresarial, a falta de disponibilidade de fundos (77%) é a razão mais referida, antes do atraso intencional dos clientes (46%). A complexidade dos procedimentos de pagamento (9%), a emissão de faturas incorretas (2%) ou as disputas sobre a qualidade dos bens e serviços fornecidos (1%) completam os motivos apresentados pelos clientes para atrasar os seus pagamentos.