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Portugueses mais cuidadosos e a gastar menos no Natal e fim de ano

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73% dos portugueses sentem que a forma como vivem mudou significativamente quando comparada com o período antes da pandemia. Estão também mais cautelosos, já que 80% dizem ter de pensar com mais cuidado onde gastam dinheiro, 71% vão gastar menos nas festas e feriados de dezembro e janeiro (Natal e Passagem de Ano), e 67% estão a tentar poupar mais do que anteriormente, ainda que 34% estejam com rendimentos mais baixos.

Estas são as conclusões do EY Future Consumer Index, de abrangência nível nacional, realizado pela primeira vez em Portugal, entre a última semana de outubro e a primeira de novembro, a um universo de 522 consumidores (51% homens, 49% mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos).

O inquérito conclui também que 67% dos portugueses estão dispostos a experimentar novas marcas ou produtos, 58% passam mais tempo na internet e 55% sentem que a tecnologia ajuda a aproveitar mais a vida durante a pandemia.

A nível global, não constituindo Portugal uma exceção, a covid-19 teve um impacto sem precedentes no comportamento do consumidor. Como resultado da pandemia, 91% dos consumidores portugueses afirmam ter mudado a forma como compram, 82% a forma como trabalham e 54% os produtos que compram. A versão portuguesa do estudo revela também que 89% estão preocupados com a sua saúde, 88% com as suas liberdades, 87% com as suas finanças e 76% com o seu emprego.

Fazendo o paralelo com a chamada Hierarquia das necessidades de Maslow, que define cinco categorias de necessidades básicas humanas, os consumidores portugueses auscultados no inquérito da EY, passaram a valorizar, por ordem de relevância: a pertença – Planeta (29%), as fisiológicas – Acessibilidade (26%), a estima – Experiência (20%), a segurança – Saúde (16%) e a autorrealização – Sociedade (9%).

A nível global, considerando o total de inquéritos realizados pela EY em 20 países, Portugal mostra alguns desajustes em relação à média. O Planeta aparece no topo das prioridades dos consumidores portugueses (29%) – é o mercado que mais o valoriza, enquanto a média global dos países é de 16% e privilegia, acima de tudo, a acessibilidade (32%). Os inquiridos em Portugal são também os que mais destacam a Experiência (20%) na comparação com a média dos restantes países (11%) e na Saúde – só 16% dos consumidores portugueses colocam a Saúde em primeiro lugar, sendo a média global de 26%. À Sociedade atribuem metade da importância que o todo – 9% versus 14%.

“Imposta e moldada por uma pandemia, a economia do distanciamento social começa a ganhar força”, afirma Sérgio Ferreira, Executive Director, Customer & Digital Experiences, Consulting Services da EY Portugal, que conduziu o inquérito EY Future Consumer Index no mercado português. Para o responsável pelo estudo, “estamos, claramente, a assistir a uma economia que resulta de novos hábitos de consumo e que privilegia a diminuição do contacto social próximo, afasta-nos e aumenta as restrições de saúde sanitária”.

Assim, “tal terá impacto nas formas como vivemos, como trabalhamos, como compramos, como nos divertimos, movimentamos e usamos a tecnologia”, refere Sérgio Ferreira, destacando mesmo que os resultados desses impactos “estão à vista”.

Como compra o consumidor
A covid-19 também tem afetado as compras dos consumidores, com alterações nos seus gastos em várias categorias de produtos. O estudo da EY revela que os portugueses passaram a gastar menos em atividades de lazer fora de casa, férias, produtos de luxo e outros prazeres. Em contrapartida, gastam mais em serviços de entrega de supermercado ao domicílio, alimentos frescos, enlatados e secos, e congelados.

“A pandemia tem impactado a circulação de pessoas, em termos turísticos e de lazer, o modo como trabalhamos e vamos trabalhar no futuro – com o aparecimento de novas oportunidades ao nível do teletrabalho –, e também a forma como os consumidores compram, que está notoriamente numa fase de transição. Muitos negócios de retalho e empresas de distribuição, por exemplo, já tiveram de se adaptar a novos modelos de compra online, home delivery, click & collect ou take away. O aumento do comércio eletrónico como suporte ao distanciamento social é, por isso, inevitável”, adianta Sérgio Ferreira.

A longo prazo, e perspetivando-se um impacto duradouro da pandemia, os mesmos inquiridos antecipam gastar menos em produtos de luxo e outros prazeres, férias e atividades de lazer fora de casa, mas também em prendas para outras pessoas e doações, equipamento desportivo e de fitness, e roupa e calçado.

O EY Future Consumer Index conclui que, apesar das limitações impostas pela covid-19, a maioria dos consumidores portugueses ainda se sente confortável a fazer compras em supermercados, em passear em público, ir para o seu local de trabalho e comer em restaurantes. Contudo, grande parte dos inquiridos revela desconforto em viajar em transportes públicos e de avião, fazer um cruzeiro, ir ao ginásio e a eventos/espetáculos.

Esta versão portuguesa do EY Future Consumer Index mostra ainda que os consumidores portugueses têm perceções diferente sobre a rapidez do regresso à normalidade, revelando que 64% dos consumidores contam que o trabalho volte ao normal dentro de dias ou semanas (26% espera que aconteça em meses; e 10% em anos ou mesmo nunca). Comportamento semelhante têm em relação a compras – 29% acreditam que estas normalizem no prazo de dias ou semanas (29% em meses; e 8% em anos ou nunca).

Expectativas bem mais negativas têm no que à rapidez da estabilidade financeira e da possibilidade de viajar diz respeito. De acordo com o inquérito da EY, apenas 25% dos portugueses anteveem um cenário de estabilidade financeira em dias ou semanas, ao passo que 40% perspetivam que tal aconteça em meses e 35% em anos ou nunca. As viagens deverão regressar ao seu estado de normalidade em dias ou semanas para 38% os inquiridos, em meses para 45%, e em anos ou nunca para 17%.