Retalho

Portugueses gastam mais 30 milhões em compras devido ao COVID-19

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Na semana de 24 de fevereiro a 1 de março, as vendas nos hipers e supermercados, em Portugal, ultrapassaram os 250 milhões de euros. Este valor representa um aumento de 14% comparativamente ao mesmo período de 2019, que registou vendas em valor de cerca de 220 milhões de euros, revela a primeira edição do Barómetro semanal da Nielsen sobre o impacto do COVID-19 nas vendas do retalho alimentar, relativo à semana 9 de 2020.

Os números da consultora mostram que a subida de 14% nas vendas entre as categorias de alimentação, detergentes e produtos de higiene e frescos, é considerável, tendo em conta que, desde o início do ano, a tendência se situava nos 6%.

Refira-se que o início da semana em análise foi marcado pelo alerta para o risco de pandemia anunciado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), num período em que o número de casos diários registados na Europa ultrapassou os da China.

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De acordo com a análise da Nielsen, a reação dos portugueses não foi igual em todo o território, com Lisboa, Setúbal, Leiria e Santarém a serem as primeiras cidades a reagir e onde foi o consumo mais disparou.

Para Lisboa, o consumo de 18% registado nesta semana triplicou a tendência de 6% verificada desde o início do ano, enquanto Setúbal e Leiria aumentaram as vendas em 16%, no período em análise, seguidas de Santarém (15%), Viana do Castelo e Braga (14%).

Abaixo da média de vendas nacionais (14%) ficaram locais como Porto (13%); Évora, Faro, Portalegre (12%).

Clara foi a preocupação acrescida entre os portugueses com a saúde e o armazenamento de produtos alimentares. Exemplo disso, são os valores mais elevados registados para as conservas (+42%), os produtos ricos em vitamina C (Kiwi +39%, Laranja +37%, Tangerina/Clementina +37%) e produtos básicos (+36%).

No que concerne as preocupações com a saúde e a limpeza estão no topo do crescimento detergentes e produtos de higiene, observável nos artigos para os cuidados de saúde (+40%) e acessórios de limpeza (+38%), onde estão incluídas as luvas.

Embora ainda seja cedo para compreender, na totalidade, de que modo esta pandemia vai afetar os padrões de consumo, alterar comportamentos e ditar novas tendências, Patricia Daimiel, diretora-geral da Nielsen para Espanha e Portugal, refere que “vivemos hoje uma situação verdadeiramente sem precedentes”.

A responsável pela consultora a nível ibérico salienta que “em todos os mercados e negócios, a nível mundial, a pandemia COVID-19 veio abalar a forma como vivemos, como consumimos e como trabalhamos”, concluindo que “todos seremos impactados, sem exceção”.

Finalmente, notam-se já tendências entre as distintas tipologias de lojas. Com um sortido mais alargado, os hipers destacam-se com um crescimento de 20%, acima dos incrementos registados para os super grandes (+18%) e super pequenos (+5%), concluindo a Nielsen ser “expetável que, com o decorrer das semanas, a questão da proximidade conquiste um maior dinamismo”.