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Consumo

Portugueses desconfinados, mas preocupados com impactos negativos na economia

Kantar_COVID_29_05_2020

Embora os portugueses estejam a diminuir o grau de preocupação com a pandemia de COVID-19, o mesmo não acontece no que diz respeito aos impactos que a crise provocará na economia portuguesa. O mais recente estudo da Kantar, feito para a Centromarca, indica que os portugueses revelam um menor grau de preocupação com a COVID-19, passando de 80,9% no Estado de Emergência, para 76,2%, no Estado de Calamidade, mas que a inquietação face ao impacto na economia nacional tem vindo a intensificar-se, além da preocupação com o possível colapso da segurança social e à perda de emprego.

O padrão de consumo também sofreu alterações com o Estado de Calamidade, indicando os dados da Kantar que, nas semanas de 3 a 17 de maio, surge uma rotina associada ao ‘novo normal’: maior presença dos portugueses nas lojas, com uma diminuição acentuada no tamanho das cestas (que, ainda assim, se mantém superior ao padrão pré-COVID).

Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, considera que “o desconfinamento e uma maior mobilidade geram um comportamento de compra mais próximo do que se verificava antes da pandemia, com um maior número de visitas às lojas e, consequentemente, um volume de compras um pouco inferior em cada uma dessas visitas. É de salientar ainda que – ao contrário do que se verificava até ao início desta crise – os portugueses preferem realizar agora as suas compras nos dias de semana e não ao fim de semana como anteriormente”.

Relativamente às compras de Fast Moving Consumer Goods (FMCG), os dados revelam que as medidas de segurança nos locais de compra aumentaram e a forma como os portugueses consomem também. Segundo a Kantar, há uma maior compra de produtos locais, um menor tempo passado nas lojas e uma opção por lojas mais perto de casa.

“O tipo de produtos comprados, o tempo passado dentro das lojas e a ida aos estabelecimentos físicos mostram-nos o impacto direto que o ‘desconfinamento’ tem nos novos hábitos dos portugueses”, explica Marta Santos, Manufacturers Sector Director da Kantar.

Já em relação às rotinas fora de casa, os portugueses pretendem passar férias em Portugal, mas diminuir os gastos na área da restauração e em bares, bem como em atividades de lazer. Os inquiridos assumem que estão em fase de ‘desconfinamento’, mas controlado, o que significa que estão / irão evitar a utilização de transportes públicos e de locais de muita afluência.

Considerando que “uma parte substancial da população ainda apresenta algum receio de regressar a atividades de consumo fora do lar”, o diretor-geral da Centromarca salienta que “é importante manter um comportamento prudente e responsável”, mas que é necessário “amenizar medos excessivos que podem dificultar o regresso e atrasar a necessária recuperação económica do país”.