Economia

PIB cai 2,3% face a mesmo trimestre de 2019  

PIB_2T_2020

No 1.º trimestre de 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma taxa de variação homóloga de -2,3%, em volume, após o aumento de 2,2% no trimestre anterior. A contração da atividade económica refletiu o impacto da pandemia COVID-19 que se fez sentir de forma significativa no último mês do trimestre, revelam os dados avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB passou de positivo no 4.º trimestre a negativo (de 1,1 pontos percentuais (p.p.) para -1,3 p.p.), observando-se uma diminuição mais intensa das Exportações de Bens e Serviços (-4,9%) que a observada nas Importações de Bens e Serviços (-2,0%). A procura interna apresentou um contributo negativo (-1,1 p.p.), pela primeira vez desde o 3.º trimestre de 2013, em resultado da diminuição do consumo privado e do Investimento.

Comparativamente com o 4.º trimestre de 2019, o INE avança que o PIB diminuiu 3,8% em termos reais (variação em cadeia de +0,7% no trimestre anterior), verificando-se um contributo negativo da procura externa líquida (-1,8 p.p.) para a variação em cadeia do PIB, após ter sido positivo (1,5 p.p.) no trimestre anterior. A procura interna registou um contributo mais negativo que no trimestre anterior, passando de -0,7 p.p. para -2 p.p. no 1.º trimestre.

Despesas de consumo final das famílias residentes recuaram 1,1%
No 1.º trimestre, as Despesas de Consumo Final das Famílias Residentes registaram uma diminuição homóloga de 1,1% em volume, após o crescimento de 2% no trimestre anterior.

As despesas das famílias residentes em bens duradouros apresentaram uma acentuada redução (taxa de -5,3%), após um aumento de 2,1% no 4.º trimestre, refletindo principalmente uma queda das aquisições de veículos automóveis.

A componente de bens não duradouros e serviços também registou uma evolução negativa, passando de um crescimento homólogo de 1,9% no 4.º trimestre para uma taxa de -0,7%, verificando-se, no entanto, um crescimento mais acentuado na componente de bens alimentares no 1.º trimestre.

Face ao 4.º trimestre, as despesas de consumo das famílias residentes diminuíram 3% (+0,1% no trimestre anterior), verificando-se uma variação em cadeia de -8,8% das despesas em bens duradouros (sobretudo de veículos automóveis), tendo as despesas em bens não duradouros e serviços diminuído 2,4% (taxas de 2,2% e -0,1% no 4.º trimestre, respetivamente).

O consumo privado no território económico, refletindo a expressiva redução da despesa efetuada por não residentes, registou uma taxa de variação homóloga de -2,2% no 1.º trimestre de 2020, após um crescimento de 2,7% no trimestre anterior.

Exportações caem 5%, importações diminuem 2%
As Exportações de Bens e Serviços em volume registaram uma variação homóloga de -4,9% no 1.º trimestre, após o crescimento de 6,2% no trimestre anterior, avançam os dados do INE referentes aos primeiros três meses de 2020. Para esta evolução, é de destacar a diminuição mais acentuada das exportações de serviços, com uma taxa de variação homóloga de -9,6% (+3% no trimestre anterior), sobretudo em consequência da contração da atividade turística. As exportações de bens também diminuíram, passando de uma variação homóloga de +7,7% para -2,7% no 1.º trimestre.

No 1.º trimestre, as Importações de Bens e Serviços, em volume, recuaram 2%, após terem registado uma variação homóloga de +3,5% no 4.º trimestre. A componente de bens registou uma diminuição de 1,4% e as importações de serviços apresentaram uma taxa de -5,3%, após os crescimentos homólogos de 2,4% e 8,8% no trimestre anterior, respetivamente.

Comparativamente com o trimestre anterior, as exportações totais diminuíram 7,1% em termos reais (+4,1% no trimestre anterior), com taxas de -5,5% na componente de bens e de -10,5% na de serviços. A variação em cadeia das importações totais foi -3,1% em volume no 1.º trimestre (taxa de 0,7% no 4.º trimestre), tendo a componente de serviços registado uma diminuição de 17,6% e a componente de bens, um aumento de 0,2%.

No 1.º trimestre, verificou-se um ganho nos termos de troca, em termos homólogos, ligeiramente menor que o observado no trimestre anterior. O deflator das Exportações de Bens e Serviços aumentou 0,3% em termos homólogos, que compara com a diminuição de 0,1% no trimestre anterior, enquanto o deflator das Importações de Bens e Serviços passou de uma variação homóloga de -0,5% no 4.º trimestre para -0,1%.

Em termos nominais, o Saldo Externo de Bens e Serviços, passou de 0,6% no 4.º trimestre, para -1% do PIB (0,1% do PIB no 1.º trimestre de 2019).