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Retalho

Operação MC é a que mais cresce no universo Sonae e aponta aos 5MM€ de vendas no final de 2020

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Nos nove meses de 2020, o volume de negócios da Sonae MC cresceu para 3,8 mil milhões de euros, representando uma subida de 10% face a igual período de 2019, indicando o maior retalho alimentar a atuar em território nacional que o Like-for-Like (LfL) ultrapassou os 7%, beneficiando, sobretudo, “dos efeitos de açambarcamento que se verificaram no início do período e da redução do consumo fora de casa durante o confinamento”, salienta a companhia liderada por Cláudia Azevedo.

Dentro os três trimestres analisados, a Sonae refere que o crescimento das vendas no 3.º trimestre foi penalizado por um verão mais fraco, mas ainda assim a um ritmo muito sólido: 7,4% e 4,8%, numa base anual e em termos LfL, respetivamente. Esta evolução é explicada, principalmente, pelo “desempenho robusto tanto dos hipermercados como dos supermercados, bem como pelo comportamento sem precedentes do negócio online”, destacando a companhia a taxa de crescimento anual elevada de dois dígitos no final dos nove meses do presente exercício.

Apesar de não indicar o resultado do 3.º trimestre, a Sonae refere que a operação de retalho alimentar da MC “continuou a apresentar um forte desempenho de vendas, incluindo uma boa e sustentável dinâmica no negócio online”.

O EBITDA subjacente nos nove meses de 2020 aumentou para 374 milhões de euros, traduzindo um crescimento de dois dígitos e sendo capaz de atingir uma margem estável de 9,9%, uma vez que os custos diretos incrementais relacionados com a covid-19 (cerca de 20 milhões de euros nos nove meses) foram mais do que compensados pela contribuição do aumento do volume de vendas e por melhorias operacionais implementadas no mesmo período.

Sonae_9M_2020

Luís Moutinho, CEO da Sonae MC, refere que nos primeiros nove meses do ano, a atividade enfrentou “adversidades que não podiam ser antecipadas”. Admitindo ter iniciado 2020 “com o pé direito, adaptando-nos rapidamente às mudanças significativas no comportamento dos clientes no auge da crise”, à medida que o ano progrediu, e com incerteza ainda no horizonte, o CEO da operação de retalho alimentar do universo Sonae refere que adotaram uma “abordagem prática, combinando a flexibilidade de resposta às mudanças de curto prazo no contexto de negócio, e um foco na transformação do setor a longo prazo”.

Olhando em perspetiva para o futuro, Luís Moutinho diz que “iremos emergir da pandemia e da crise económica como uma empresa mais forte, servindo ainda melhor os nossos clientes. É fundamental que continuemos a investir no futuro e a focar os nossos recursos em atividades e projetos estratégicos orientados para o nosso sucesso a longo prazo”.

Não alimentar sofre
No que diz respeito à Worten, as vendas nos nove meses e 2020 ditam um crescimento de 4,3% face a igual período de 2020, totalizando 775 milhões de euros. Alavancando as lojas físicas e a online, para oferecer soluções omnicanal convenientes, e o seu marketplace, para ampliar a sua oferta, a Worten mais do que duplicou as vendas no online quando comparado com o mesmo período de 2019.

As vendas das lojas mostraram resiliência, uma vez que, apesar das restrições no número de visitantes, a conversão e o ticket médio melhoraram, indicando ainda a quota de mercado online já ultrapassou a quota de mercado offline.

Tal como no 2.º trimestre, a Worten refere que as tecnologias de informação e pequenos eletrodomésticos continuaram com uma elevada procura, impulsionando o crescimento das vendas.

Em termos de EBITDA, a Worten apresenta +48% em termos homólogos para sete milhões de euros no trimestre e 11 milhões de euros nos nove meses de 2020 (+39% em termos homólogos), atingindo uma margem de 6,9% e 5,2%, respetivamente.

Após um 2.º trimestre “bastante difícil”, marcado pelo confinamento, o 3.º trimestre foi ainda “muito desafiante” para a Sonae Fashion, indicando a evolução da pandemia e deterioração das condições macroeconómicas como fatores principais.

Dentro do universo fashion da Sonae, a unidade de negócio foi capaz de aumentar a sua quota de mercado, com o desempenho das vendas entre as várias marcas e categorias a ser distinto, refletindo diferentes posicionamentos de preço, dependência de tráfego nos centros comerciais e procura de itens essenciais.

Também aqui, tal como na Worten, o canal online manteve o forte momentum observado no 2.º trimestre e mais do que duplicou o seu desempenho no 3.º trimestre de 2020 face ao mesmo período de 2019.

O crescimento de vendas LfL de 12% e uma redução de apenas 3% do volume de negócios no 3.º trimestre fazem com que no final dos nove meses de 2020 o volume de negócios da Sonae Fashion atingisse os 232 milhões de euros, 16,6% abaixo de 2019. Relativamente à rentabilidade, a Sonae Fashion registou um EBITDA subjacente positivo de 12 milhões de euros no 3.º trimestre de 2020, ultrapassando o valor negativo registado no 2.º trimestre e permitindo uma recuperação do EBITDA subjacente em termos acumulados para 2 milhões de euros.

Na área do desporto e na operação da Iberian Sports Retail Group (ISRG), onde a Sonae detém uma participação de 30%, o 2.º trimestre deste ano foi marcado pela reabertura de todas as lojas na Ibéria a partir de meados de maio e pelo foco na recuperação do impacto do confinamento. Com as lojas físicas ainda com algumas restrições, o volume de negócios total apresentou uma queda de 7% no 3.º trimestre, apesar do desempenho expressivo da operação online que triplicou em termos homólogos. Em termos de rentabilidade, o EBITDA acompanhou a tendência das vendas e fez com que a contribuição do método de equivalência patrimonial nos resultados da Sonae fosse quase nula no trimestre.

No que toca à Sonae Sierra, após o confinamento geral no 2.º trimestre, a operação registou tendências operacionais positivas durante o trimestre seguinte, embora ainda abaixo dos níveis pré-pandémicos. Tanto as vendas dos lojistas como o número de visitantes mostraram sinais de recuperação no 3.º trimestre, com as vendas em setembro e o número de visitantes abaixo do ano passado, 14% e 22%, respetivamente, e com Itália e Espanha a registarem os desempenhos mais fortes de todo o portfólio.

O resultado direto do 3.º trimestre foi negativo em 2,8 milhões de euros, refletindo o impacto da lei de arrendamento introduzida em Portugal e os descontos acordados com lojistas nas restantes geografias, principal impulsionador da redução de 40% das receitas de rendas desde o início do ano.

No total, o resultado líquido da Sonae Sierra nos nove meses de 2020 foi negativo em 20 milhões de euros.

Sonae com mais receita, mas menos lucro
Quanto à operação global da Sonae, o volume de negócios e o EBITDA subjacente consolidados da Sonae aumentaram no 3.º trimestre de 2020, mais do que compensando os valores mais baixos registados no trimestre anterior devido ao confinamento.

“Esta nova vaga irá certamente voltar a testar-nos” – Cláudia Azevedo, Sonae

Assim, no final deste 3.º trimestre, o volume de negócios consolidado cresceu 6% em termos homólogos, para 1.773 milhões de euros, conduzindo a uma subida de 6% nos resultados atribuídos aos nove meses de 2020 para 4.908 milhões de euros.

A Sonae destaca, de resto, as vendas online dos negócios integralmente consolidados que duplicaram nos primeiros nove meses de 2020, face ao período homólogo, representando “mais de um terço do crescimento de vendas, provando as capacidades digitais e propostas de valor do e-commerce dos nossos negócios”.

Em relação ao EBITDA subjacente, a Sonae terminou o 3T20 com uma margem de 10%, representando um aumento de 8,6% em termos homólogos para 177 M€. Esta performance é explicada, uma vez mais, pelos fortes desempenhos da Sonae MC e da Worten, o que permitiu à Sonae manter no final dos 9M20 o valor do EBITDA subjacente registado o ano passado, apesar da desconsolidação de dois centros comerciais core (consequência da transação Sierra Prime) no 1T20 e do impacto negativo do período de confinamento no 2T. Numa base pró-forma, excluindo os ativos do Sierra Prime no 3T19, o EBITDA subjacente da Sonae teria aumentado 14% em termos homólogos no 3T20.

O EBITDA consolidado do 3.º trimestre de 2020 ascendeu a 180 milhões de euros (-12,6%) e nos nove meses de 2020 a 436 milhões de euros (-10,1%).

O resultado líquido total da Sonae baixou, assim, de 131 milhões de euros para uns 36 milhões de euros negativos do acumulados destes primeiros noves meses de 2020, enquanto no 3.º trimestre, esse valor baixou de 67 para 48 milhões de euros.

Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, admite que, “após um segundo trimestre difícil, marcado por fortes medidas de confinamento, o terceiro trimestre foi ainda um período com muitas restrições que impactaram o nosso dia a dia”.

A responsável pelos destinos do grupo conclui ainda que “desde o início de outubro, temos assistido a um aumento do número de infeções por covid-19 em todo o mundo, sendo que os governos estão novamente a implementar restrições mais severas, incluindo novos confinamentos em alguns países”. Por isso, Cláudia Azevedo acredita que “esta nova vaga irá certamente voltar a testar-nos. Mas, tendo enfrentado a primeira vaga como o fizemos, e dado o atual nível de preparação das nossas equipas, estou certa de que os nossos negócios serão capazes de continuar a satisfazer as necessidades dos nossos clientes e que a Sonae continuará a criar valor para todos os seus stakeholders.”