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Faturação dos negócios em Portugal supera valores pré-pandemia

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Depois de em junho deste ano o número de transações e a faturação total terem ficado muito próximos dos valores registados no mês anterior à pandemia (fevereiro), o sétimo mês de 2020 ficou em campo positivo, ou seja, apresenta crescimento face ao período pré-pandemia.

Os indicadores da REDUNIQ mostram que o mês de junho destacou-se por registar valores transacionais próximos dos valores registados antes da chegada da Covid-19 a Portugal. Ao nível do número das transações, o mês passado alcançou 89% do total registado em fevereiro, enquanto que o montante total de faturação esteve na ordem dos 93% dos valores atingidos no segundo mês do ano. Da mesma forma, o número de pontos de venda também se aproximou dos valores anteriores à pandemia (94%).

Já quando analisadas as primeiras três semanas de julho, verifica-se que a evolução transacional em Portugal regista valores próximos ou superiores aos do período anterior à pandemia, sendo que na semana de 12 a 18 de julho, o número de transações atingiu o total de operações efetuadas na primeira semana de março (semana em que se registaram os primeiros casos do novo coronavírus em Portugal). Com semelhante tendência, o total faturado pelos negócios na terceira semana de julho superou 5% do total registado de 1 a 7 de março, sendo esta a segunda semana em que esta superação ocorre (de 5 a 11 de julho, a faturação teve mais 1% do que o total da primeira semana de março).

Para Tiago Oom, diretor da REDUNIQ, estes resultados refletem “um crescimento significativo da atividade transacional do país quando comparado com o período mais crítico da pandemia, nomeadamente o mês de abril, em que se atingiu apenas 52% das transações face ao mês de fevereiro, assim como a faturação só chegou aos 62% dos valores alcançados antes da pandemia”.

Para além disso, o responsável da rede nacional de aceitação de cartões nacionais e estrangeiros, salienta que “estes números demonstram igualmente que, após um período de desconfinamento faseado, os portugueses estão cada vez mais a regressar aos seus hábitos de consumo quotidianos e a retomar as suas atividades de lazer (como regressar aos ginásios, jantar fora, etc.), respeitando sempre as recomendações impostas pelas autoridades de saúde”.

Tiago Oom destaca ainda o facto de a “faturação ter crescido consecutivamente em Portugal durante cinco semanas, tendo-se registado o maior aumento na semana de 28 de junho a 4 de julho, em que o valor total faturado subiu 10% em relação à semana anterior”.

Feita uma análise mais detalhada à faturação estrangeira no país, nota-se um contraste entre os valores registados este ano face ao período homólogo. Em termos percentuais, os valores alcançados pela faturação estrangeira representaram neste mês de junho apenas 10,41% do total da faturação dos negócios, enquanto que no mesmo período de 2019 esse peso estava nos 25,62%. Apesar deste cenário, observa-se uma recuperação da faturação estrangeira entre junho e julho, de 5,90% da faturação total para 10,41%.

Para explicar estes resultados, Tiago Oom refere dois fenómenos: “Por um lado, os baixos níveis de representação da faturação estrangeira na faturação total dos negócios, em comparação com o ano passado, devem-se ao efeito de ‘desaparecimento’ do turismo em Portugal, uma tendência que tem gerado um maior impacto nos meses de verão em que esta atividade é habitualmente maior. Por outro lado, começa-se a sentir uma gradual recuperação dessa mesma faturação desde a abertura das fronteiras, apesar de ainda não trazer consequências significativas ao setor do turismo, dadas as restrições de circulação aérea de alguns países ou as recomendações para gozar as férias no país de residência.”

Já em relação à análise dos diferentes setores, verifica-se que de junho para julho se registou uma recuperação da variação homóloga em quase todos os setores analisados (à exceção da área da saúde), sendo que seis setores obtiveram este mês uma variação homóloga positiva, com destaque para as farmácias (56%), o retalho alimentar tradicional (35%), e os eletrodomésticos e tecnologia (25%).

Sobre a evolução do número de pontos de venda ativos por setor, verificou-se na sua generalidade uma recuperação na abertura de praticamente todos os pontos de venda, tendo como referência os números de fevereiro. O único setor que contraria esta tendência é o da hotelaria e atividades turísticas, que se encontra a operar 20% abaixo do valor observado em fevereiro, apesar de estar a recuperar desde abril, mês em que registou apenas 32% de pontos de venda ativos. Já ao nível de perdas acumuladas desde o início do ano até 18 de julho (em comparação com o ano anterior), este setor alcança perdas na ordem dos 69%.

“Este é de facto um cenário preocupante, sobretudo num setor que em 2019 já representava 8,7% do PIB nacional. Contudo, apesar da grande quebra na hotelaria, o setor encontra-se em crescimento há quatro semanas consecutivas, com destaque para a semana da abertura das fronteiras, em que o crescimento da faturação rondou os 40% face à semana anterior”, destaca o diretor da REDUNIQ.

Para além da hotelaria, também a moda, as perfumarias e a restauração estão a sentir os efeitos da pandemia na sua faturação, com perdas acumuladas até 18 de julho e face a 2019 de 46, 43 e 38%, respetivamente.

Por fim, uma das grandes tendências nos pagamentos que a pandemia veio reforçar foi a utilização do contactless, que só este mês teve um crescimento de 262% face ao período homólogo. Atualmente, os pagamentos efetuados através desta tecnologia têm um peso de 26% na faturação total, enquanto que em julho de 2019 essa percentagem era de apenas 6%.