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Desconfinamento faz crescer vendas de BGC a duplo dígito

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No início do processo de desconfinamento, as vendas de Bens de Grande Consumo (BGC) registaram um crescimento de 17% comparativamente à semana homóloga de 2019, totalizando 187 milhões de euros.

Nesta semana 19, os portugueses voltaram a armazenar e todas as categorias apresentaram crescimentos. Alimentação (20%), Bebidas (18%), Higiene Pessoal e do Lar (9%) e comida e acessórios para cães e gatos (6%) registaram incrementos de vendas comparativamente à semana homóloga.

De resto, o Barómetro Nielsen COVID-19 referente à semana 19 (4 a 10 de maio), marca o princípio de uma nova fase: Viver uma nova normalidade. Esta é a 6.ª e última fase do período COVID-19: #1Compra pró-ativa de saúde; #2 Gestão reativa da saúde; #3 Preparação da despensa; #4 Preparação para quarentena; #5 Vida com restrições; #6 Viver uma nova normalidade.

Segundo a análise da Nielsen, e de uma forma geral, a pandemia COVID-19 veio trazer crescimento no setor dos BGC em Portugal, salientado que se verificou “nitidamente” um período de armazenamento (entre 24 de fevereiro e 15 de março), em que o mercado cresceu 31% face a período homólogo de 2019; bem como nas semanas de quarentena (entre 16 de março e 3 de maio) em que o crescimento foi de 9%.

A preparação da despensa dos portugueses
Durante a fase de Armazenamento, foram as categorias de Higiene Pessoal e do Lar (+37%) e de Alimentação (+35%) as que apresentaram maior dinamismo.

Em Higiene, o crescimento do papel higiénico, que mereceu mesmo algum destaque noticioso, não deixou dúvidas quanto à necessidade dos portugueses de se abastecerem previamente. Esta categoria cresceu 87% durante todo o período de Armazenamento. Destacam-se também, nesta fase, os Acessórios de Limpeza (+54%) e os Rolos, Guardanapos e Lenços (+54%).

No setor da Alimentação, destacam-se claramente os produtos de maior durabilidade, como é o caso das Conservas (+102%), dos Produtos Básicos (+89%) e dos Congelados (+44%).

No que diz respeito aos produtos Frescos, os portugueses não quiseram que faltassem produtos a que estão habituados à mesa, exemplo da Carne, do Peixe e das Frutas & Legumes, que, neste período de Armazenamento, cresceram, respetivamente, 30%, 26% e 18%.

As Bebidas Não-Alcoólicas (+16%) cresceram no período de Armazenamento (influenciadas pela preocupação em ter água em casa). Não há dúvida de que os portugueses prepararam a sua despensa, no sentido de enfrentar as necessidades associadas à permanência em casa.

A tentativa de manter a normalidade possível
No período de Quarentena, com todo o consumo a ser realizado em casa, é na Alimentação que se verifica o maior dinamismo (+14%). As Bebidas Quentes, onde se inclui o Café, ocuparam um lugar de relevo desta fase, com um crescimento de 52%. Embora com menos destaque, continua a notar-se uma preocupação dos consumidores por manter a sua despensa recheada, com um dinamismo de 33% nos Produtos Básicos, de 29% nos Congelados e de 28% nas Conservas.

Quando ficam em casa, é evidente a preocupação dos consumidores com a limpeza (+62% em Acessórios de Limpeza) e com a embalagem e conservação de alimentos (+43% em produtos para este efeito). Por outro lado, com os portugueses confinados nas suas casas, notam-se decréscimos acentuados em categorias como Produtos Solares (-88%), Produtos para Calçado (-46%), Perfumes (-37%) e Maquilhagem (-29%).

Nos Frescos, a tendência é de quebra durante a Quarentena. Registaram-se, no entanto, crescimentos nas Frutas & Legumes (+10%) e no Talho (+6%). O Take Away & Cafetaria do retalho alimentar, que apresentava o maior dinamismo no período pré-COVID, inverteu a tendência na quarentena (-68%).

Diferentes tipologias de loja para necessidades distintas
Se é pelas lojas maiores que os portugueses optam no momento de armazenar, na vida em quarentena a proximidade ganha visibilidade, possibilitando deslocações mais próximas de casa e de menor duração.

Face à evolução do consumo desde que se começaram a sentir os efeitos desta pandemia, “é notória uma adaptação dos consumidores às distintas necessidades que esta nova realidade impôs nas suas vidas e rotinas. Os dados analisados pela Nielsen mostram uma tentativa de responder a novas exigências, quer no momento de assegurar uma despensa recheada que permitisse enfrentar o confinamento, quer na compra de produtos que tornassem mais fácil a permanência prolongada em casa”, explica Inês Pimentel, Client Consultant da Nielsen.

A responsável da consultora que analisou, semanalmente, as grandes tendências em tempos de COVID-19, nas fases Pré-Covid (semanas 1 a 8), Armazenamento (semanas 9 a 11) e Quarentena (semanas 12 a 18), refere ainda que “a procura por diferentes tipologias de canais de retalho evidencia que o consumidor possui uma capacidade para ajustar os seus hábitos e adotar novas rotinas quando tal se revela indispensável. Lojas de maior e de menor dimensão adquirem um papel específico quando se trata de suprir determinadas necessidades e em distintas fases neste longo processo de confinamento e restrições”.

Inês Pimentel admite ainda que “as próximas semanas trarão, certamente, novidades”. A possibilidade de voltar a uma rotina mais aproximada à realidade pré-COVID, com maior liberdade de movimentos, significará, também, “mais liberdade para os consumidores realizarem as suas compras, e o fim de algumas exigências modificará o aspeto da sua cesta”, conclui.