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COVID-19 precipita pequenos comerciantes para o ‘online’

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Foi no passado dia 22 de junho que se realizou a segunda conferência do Ciclo de Conferências da revista DISTRIBUIÇÃO HOJE. Dedicada ao e-commerce, a sessão contou com duas mesas redondas em que se debateu a repentina ‘explosão’ do e-commerce durante a pandemia e a necessidade de os vários players do mercado de reajustarem a sua oferta para dar resposta a um consumidor mais digital.

A segunda mesa redonda reuniu Paulo Gomes, managing director da Granvine, Fernando Amaral, fundador do marketplace Comerciantes.pt, e Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI, que explicaram de que forma a pandemia veio acelerar um processo que era inevitável para o pequeno comércio: a presença online.

No início deste ano, a ACEPI – Associação Economia Digital estava a realizar um roadshow para o programa Comércio Digital, uma iniciativa para dar a conhecer as mais recentes tendências digitais e para sensibilizar os comerciantes para a importância do digital, mas mal sabia como essas competências viriam a ser essenciais para o pequeno comércio algumas semanas depois.

“No final do mês de março, quando terminámos o nosso estudo, e ainda estávamos a tentar entender o que ia acontecer ao País, os resultados mostravam que as empresas estavam muito sensíveis para o digital e estavam a dar os primeiros passos, mas ainda faltava um clique qualquer. Esse clique veio a acontecer. Hoje em dia, não é possível uma empresa não ter uma presença online, não aceitar pagamentos eletrónicos, não ter algum tipo de sistema de entrega em casa. Mesmo os comerciantes mais pequenos tiveram de se adaptar e resolver isso. De uma forma, mais ou menos atabalhoada ou com soluções mais ou menos sofisticadas, muitos comerciantes tiveram de dar esse passo”, explicou Alexandre Nilo, presidente da ACEPI.

Mas até os comerciantes com experiência no digital tiveram de se adaptar. A Granvine, loja online de vinhos e bebidas espirituosas que nasceu no final de 2019, acabou, sem saber, por antecipar uma necessidade que viria a ser sentida durante o estado de emergência, altura em que muitos produtores acabaram por ter de recorrer aos canais digitais para escoar parte da produção que habitualmente era vendida no canal Horeca.

Paulo Gomes, managing director da Granvine, afirma que “fomos beneficiados pela COVID-19, pelo facto de o consumidor não ter opção de compra por as lojas estarem fechadas e por ter medo de se deslocar. Como somos uma loja relativamente recente não temos um histórico que nos permita comparar com períodos homólogos, mas tivemos de nos adaptar. Nós prometemos entregas em todo o País até 48 horas e não queríamos fugir desse compromisso, mas foi um grande desafio porque de repente o negócio cresce 700% ao mês e não é fácil. Mas conseguimos responder ao nível da logística e de armazém porque reforçámos rapidamente a nossa equipa. O maior desafio que tivemos de gerir foi ao nível dos nossos parceiros logísticos que foram apanhados nesta onda de aumento de vendas online.”

Uma experiência semelhante à do marketplace Comerciantes.pt, um ‘filho’ da pandemia de COVID-19 que nasce para ajudar os pequenos comerciantes a continuar a vender durante o estado de emergência que obrigou ao fecho de portas.

Fernando Amaral, fundador do Comerciantes.pt, conta que “não havendo capacidade para aprender e lançar algo de novo de um dia para o outro, muitos destes pequenos negócios estavam em risco de desaparecer porque ninguém sabia quando é que o desconfinamento iria começar. Foi uma resposta. Vimos uma casa a arder e fomos tentar ajudar a apagar o fogo. Começámos, sem qualquer tipo de fim lucrativo, a usar os conhecimentos que tínhamos e que nos permitiram em 15 dias colocar o marketplace online (…) Agora já estamos a olhar para o futuro e queremos juntar os produtos todos e os comerciantes todos e além da compra única, que já tínhamos, ter uma entrega única feita por nós.”

O projeto piloto começou por reunir 20 comerciantes do bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, mas em breve será alargado a novas áreas da cidade e até outras cidades.

Leia o artigo completo na próxima edição da revista DISTRIBUIÇÃO HOJE