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E-commerce

Valor do comércio eletrónico poderá ultrapassar os 110 mil milhões de euros em 2020

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Segundo as contas da ACEPI – – Associação da Economia Digital – o valor do comércio eletrónico (B2C + B2B) poderá atingir os 110,6 mil milhões de euros, em 2020, alavancado pelo impacto da pandemia da covid-19 que mudou profundamente os hábitos dos consumidores e transformou profundamente empresas e negócios.

No estudo “Economia e Sociedade Digital em Portugal”, desenvolvido em parceria com a IDC desde 2009, e apresentado no início do Portugal Digital Summit’20, Alexandre Nilo da Fonseca, presidente da ACEPI, revelou que, em 2019, o valor do comércio eletrónico (B2C + B2B), em Portugal, situou-se nos 96 mil milhões de Euros, com os indicadores a revelarem forte penetração da Internet em Portugal com valores próximos da média europeia, crescimento do número de compradores online, do volume e frequência das compras e aceleração da transformação digital dos negócios das empresas.

Contudo, o valor do comércio eletrónico B2C (compras realizadas por consumidores portugueses) ainda é relativamente reduzido quando comparado com o total, estimando os dados do estudo da ACEPI/IDC que tenha ultrapassado os 6 mil milhões de euros em 2019, representando atualmente 2,9% do valor do PIB. Para 2020, estima-se que o valor do B2C alcance quase os 8 mil milhões de euros.

Entre as principais conclusões do estudo, a ACEPI aponta para uma utilização da Internet que continuou a crescer ao longo dos últimos anos e cuja, penetração atingiu, em 2019, 3/4 dos portugueses. Já considerando o efeito da pandemia prevê-se que em 2020 a penetração da Internet atinja os 81% da população.

O Norte, Centro e Alentejo são as regiões do país que apresentam as menores taxas de penetração na utilização da Internet.

No que diz respeito à aceleração provocada pela pandemia covid-19, o estudo mostra que mais de metade dos utilizadores de Internet já fez compras online (51%), em 2019, estimando-se que, esse valor cresça para 57%, em 2020, devido à pandemia. A pandemia é também responsável pela alteração de comportamentos de compra online, indicando-se que cerca de 60% dos compradores online afirmam ter aumentado o valor das suas compras através da Internet.

A intensidade de compras na Internet aumentou com 73% dos compradores online a fazer em média mais do que 3 a 5 vezes compras por mês, revelando o estudo da ACEPI que se compra agora mais em lojas online portuguesas e menos em sites estrangeiros, concluindo que este fenómenos “também terá a ver com a existência de mais lojas online portuguesas”.

Nas categorias de compras online destacam-se agora as “refeições entregues ao domicílio”, que no ano anterior não tinham expressão, e os “produtos alimentares e bebidas”, que este ano refletem a alteração comportamental dos portugueses provocada pela pandemia. Também as categorias de equipamentos para utilizar em casa – tanto informáticos, como eletrodomésticos – registaram crescimentos acentuados. Nos serviços digitais destacou-se a categoria “Filmes e as Séries”.

Relativamente à experiência de compra online, o estudo da ACEPI refere que é “determinante para as lojas portuguesas evoluírem e captarem cada vez mais consumidores online, quer em Portugal, quer fora do país”. Na realidade, “a eficácia das modalidades de pagamento, o conteúdo e transparência da informação, os métodos de entrega e o carrinho de compras flexível e intuitivo das lojas portuguesas, são considerados muito bons, demonstrando a evolução das lojas nacionais nestas áreas”.

Certo é que os compradores online em Portugal, na sua grande maioria, confiam nos serviços digitais e nas lojas online, existindo cada vez menos receio na sua utilização.

As entregas em períodos horários definidos e as entregas no mesmo dia ou no dia seguinte, são consideradas muito relevantes pelos portugueses.

Já os pagamentos por referência Multibanco continuam a ser o método preferido dos portugueses, mas verifica-se já o crescimento do MBWay e de outras “wallets” eletrónicas.

Certo parece ser, igualmente, o reforço da presença das empresas portuguesas na Internet ao mesmo tempo que as empresas nacionais olham para o e-commerce como uma alavanca de crescimento e internacionalização.