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Retalho

APED alerta para “danos nefastos” no retalho devido às restrições nos horários

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A uma semana do Natal, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) alerta para as sucessivas medidas de restrição impostas ao retalho e que estão a provocar “danos nefastos” ao setor e à produção nacional.

A associação que congregas mais de 160 insígnias como Pingo Doce, Continente, Auchan FNAC, Worten, Lidl, entre outros, destaca os “prejuízos avaliados em dezenas de milhões de euros e impacto considerável na estabilidade de mais de 100.000 postos de trabalho, quer do retalho alimentar quer do retalho especializado”.

 

A APED apela, assim, ao Governo para que “retire medidas sem qualquer efeito prático na defesa da saúde pública”, em concreto a “redução dos horários de funcionamento ao fim de semana, o rácio de número de pessoas permitida em loja e proibição da venda de álcool a partir das 20h00”.

Para Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, “está em causa não só a sustentabilidade do retalho como de um conjunto de setores da produção nacional, que estão a ser severamente condicionados no escoamento dos seus produtos. A produção nacional está a ser duplamente penalizada: pelos efeitos decorrentes da pandemia, mas sobretudo pela tomada de decisões do Governo que se têm revelado inconsequentes em termos de contributo para a saúde pública, principalmente no que diz respeito aos horários do comércio”.

A restrição dos horários de funcionamento dos espaços comerciais do retalho alimentar e não alimentar é, somente, uma das medidas que a APED aponta como “equívocas” e que apenas têm causado “constrangimentos aos consumidores e às empresas”.

A associação admite mesmo que a decisão de alterar o horário de funcionamento dos espaços comerciais é “arbitrária, tomada sem uma evidência científica”, que apenas veio causar “dificuldades no planeamento das compras das pessoas e dificuldades acrescidas na gestão das lojas”.

“A restrição de funcionamento ao fim-de-semana apenas tem levado a maior aglomeração de pessoas, a uma corrida aos espaços comerciais, levando à existência de filas de mais de uma hora para entrar. Se se queria evitar ajuntamentos, esta foi uma medida de sinal contrário que poderia ser evitada com horários mais extensos e com o aumento do número de pessoas em loja, mantendo a segurança”, afirma Gonçalo Lobo Xavier.

Para além da limitação de horários, a manutenção do rácio de pessoas em loja mais restritivo da Europa agrava, segundo a APED, “a realidade vivida nos espaços comerciais”. Refira-se que Portugal continua a ter um limite de cinco pessoas por 100 metros quadrados, enquanto países como Espanha ou França, têm o dobro e são mais suaves nas medidas que impactam o comércio e a venda de bens essenciais.

“Uma vez mais, é uma medida que revela pouca visão e pouco conhecimento da realidade vivida nos espaços comerciais. A passagem de cinco para 10 pessoas, como temos vindo a propor ao longo dos últimos meses, permitiria um maior tráfego em loja, com a mesma segurança e com maior possibilidade de terminar com as filas à porta das lojas. Os espaços comerciais têm todas as condições para receber mais pessoas com total segurança. Isso mesmo poderá ser confirmado pela Direção Geral de Saúde”, acrescenta o diretor-geral da APED.

Uma terceira medida “nefasta” apontada pela APED é a proibição da venda de álcool a partir das 20h00, salientando que “a realidade demonstra que a limitação à aquisição destas bebidas nesta altura não tem qualquer ligação com a transmissão da pandemia e a definição de uma hora-limite para compra apenas contribui para gerar um aumento de tráfego inusitado nas lojas nesse período do dia com enorme prejuízo para o sector do vinho e das bebidas espirituosas que já estimam perdas acima dos 16 milhões de euros só com esta medida”.

Por essa razão, Gonçalo Lobo Xavier aponta esta restrição como “uma medida sem paralelo na Europa”, referindo tratar-se de “um exemplo crasso de como estão a ser tomadas medidas avulsas, sem qualquer efeito prático na defesa da saúde pública”.

“Não se percebe o que está por trás desta decisão. Saúde pública não será com certeza”, conclui o director-geral da APED.