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Entrevista

Gold Nutrition: “Prevejo que a área alimentar saudável cresça”

Custódio César Gold Nutrition Distribuição Hoje
É cada vez mais uma tendência de consumo: suplementos alimentares desportivos. Mas não se pense que é algo só para os desportistas de alta competição. O chamado ‘atleta de fim de semana’ já não passa sem eles e compra, sobretudo, na distribuição moderna. E uma das empresas líderes no segmento chama-se Gold Nutrition. Entrevistámos o seu fundador, o nutricionista Custódio César.

Como é que surge a Gold Nutrition e quem está por detrás desta marca?

Nasce em 2003 e surge no mercado em 2004. Quem detém a marca são dois sócios portugueses, e eu sou o fundador da marca. Na altura percebemos que existiam no mercado apenas marcas norte-americanas e que toda a sua comunicação era direcionada para o nicho do body building e do culturismo. Decidimos desenvolver uma linha de nutrição desportiva para atletas de fitness, de fundo, de outdoor, e para quem não era atleta mas queria ficar melhor com o seu corpo. Já tínhamos capitalizado conhecimento suficiente porque durante uns anos representámos uma marca norte-americana de nutrição desportiva – e que depois deixamos de representar. E percebemos que toda a comunicação da nutrição desportiva, quer em Portugal quer no estrangeiro era feito para os praticantes de culturismo. Fomos também a primeira marca de nutrição desportiva em Portugal.

 

A Gold Nutrition é 100% portuguesa?

Sim, é 100% portuguesa!

 

E em que mercados fora de Portugal estão presentes? 

Estamos em 12 países, sendo que o nosso mercado principal fora de Portugal é Espanha. E estamos também em Angola, Roménia, Hong Kong, Lituânia, Grécia, Suíça entre outros países ainda sem grande dimensão, e vamos começar agora no Equador.

 

E como tem sido a evolução da Gold Nutrition como empresa?

Tem corrido bem, temos ganho cada vez mais responsabilidade porque temos vindo a apoiar cada vez mais atletas de diferentes modalidades. Os resultados que os nossos atletas sentiram depois de terem sido suplementados por nós foi notório. E essa é a nossa melhor estratégia de comunicação. Os resultados dos atletas falam pela nossa marca. E depois evoluímos na distribuição, estávamos muito concentrados nas lojas de produtos dietéticos e sentimos necessidade de expandir outros canais de distribuição.

 

 

Custódio César - Gold Nutrition - suplementos - Distribuição Hoje

 

Atualmente, qual o canal onde têm mais vendas?

Claramente temos mais vendas nas grandes superfícies com mais de 50% das nossas vendas nesse canal, e temos o online em segundo lugar. Estamos presentes no Continente, no Auchan, e vamos entrar no Lidl. E estamos ainda em negociação com outra cadeia de retalho.

E como foi o início do relacionamento da distribuição moderna?

Foi muito interessante porque foram eles que nos abordaram. A marca começou a ganhar notoriedade e a distribuição percebeu a tendência crescente de uma população urbana mais informada e que consome os nossos produtos.

Como sabe as vendas na distribuição moderna segue a vontade de um consumidor português “promo dependente” que quase só compra em promoções, como tem sido para vocês, Gold Nutrition gerir esta situação?

 Temos uma boa comunicação com a distribuição mas devido às grandes campanhas de descontos regulares obrigam-nos a baixar significativamente as nossas margens.

 Sabe ao certo quem é o consumidor dos vossos produtos. Apenas as pessoas urbanas com conhecimento dos produtos e os atletas profissionais?

Sabemos que os nossos consumidores se concentram na faixa etária dos 20 aos 50 anos de idade. Uma população mais informada e mais preocupada com a saúde. E tanto é o indivíduo que quer trabalhar para melhorar a sua composição corporal como o outro que quer trabalhar para ganhar uma medalha no seu desporto. Estamos tanto com os profissionais como para os chamados atletas de fim-de-semana. Sentir o efeito dos produtos é muito importante para a afirmação da marca junto dos consumidores.

Os produtos são os mesmo para o tal “atleta de fim de semana” como para o atleta de alta competição?

Não, temos fórmulas diferentes para atletas de alta competição. Uma bebida isotónica para um atleta de competição deve ser enriquecida com aminoácidos, que certamente não estará no produto que não é para a competição.

Os portugueses estão mais interessados nos suplementos alimentares desportivos?

Tem sido uma evolução gradual fruto de, em primeiro lugar, do passe a palavra. Mas também a política de comunicação que temos de apoiar atletas de grande envergadura e de grande notoriedade que servem para desmistificar o que é isto dos suplementos. Temos feito um trabalho árduo para informar que o que fazemos tem muita investigação e muita qualidade. Temos cinco nutricionistas na nossa equipa, e não haverá muitas marcas na Europa que os tenham.

É esta a forma como combatem alguma má fama de alguns produtos nesta categoria de produtos?

Sim, sobretudo com o controlo da qualidade.

E onde são feitos os vossos produtos?

Infelizmente não são feitos em Portugal, mas sim em laboratórios de grande qualidade nesta área na Alemanha, Irlanda e Bélgica. Os nossos produtos tem certificados de analise micro biológicos, físico químicos e quando chegam a Portugal são submetidos a novas análises antes do produto chegar ao mercado. E depois ainda temos produtos que passam  pelas análises antidoping.

Neste tipo de produtos começa a existir a tendência de produtos mais naturais, é verdade?

Sim, é mesmo uma tendência e já temos uma franja de consumidores que pretendem produtos sem adoçantes, sem corantes, sem conservantes. Mas já temos produtos formulas sem adoçantes nenhuns e dentro dos adoçantes procuramos os que são menos atacados pela ciência.

Tem alguma gama específica de produtos naturais?

Faz parte da filosofia da empresa seguir essa linha de produtos sem glúten, por exemplo, retirar a lactose da maioria dos produtos, etc. Já este ano lançamos um produto com lactose vestigial que mesmo os consumidores muito intolerantes à lactose não reagem. Também acabamos de lançar um produto com proteínas vegetais, que tem tido muita procura.

Qual o vosso produto estrela?

Os produtos que têm mais destaque são a Carnitina e o Total Whey. O Whey é uma proteína do soro do leite que atualmente é considerada uma commodity de alguém que pratique desporto. E há hospitais que o usam para combater a massa muscular dos doentes acamados, por exemplo.

A vossa política de marketing e patrocínios é agressiva, apoiam muita gente. Como é essa estratégia de marketing? E estão no futebol?

No futebol apoiamos o Vitória de Guimarães há dois anos, mas estamos mais concentrados em atletas. Gastámos uma parte do nosso patrocínio em atletas em dezenas de modalidades. A grande parte dos atletas olímpicos que estiveram nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro estavam suplementados por nós. É algo pesado para o nosso orçamento mas fazemos questão de seguir essa linha porque é também uma forma de apoiar o desporto nacional.

Custódio César - Gold Nutrition - Distribuição Hoje

E quanto é que investem em marketing e patrocínios?

Este ano vamos investir mais de 600 mil euros em patrocínios.

E em termos de resultados?

Estamos a fazer uma forte aposta no mercado internacional onde estamos a crescer o dobro do que crescemos em Portugal. Este ano queremos chegar aos noves milhões de euros de vendas consolidadas, sendo que em 2015 atingimos os 7,5 milhões de euros. Por isso prevemos um crescimento significativo.

Mas  ainda há espaço de crescimento no mercado português?

Sim, há. Prevejo que a área alimentar saudável cresça. Não percebo como em determinais locais de muita passagem de pessoas não existem soluções que não estejam carregadas de açúcar. Em Espanha uma das coisas que vi numa cafetaria foram muito barras saudáveis, com proteínas, sem açúcar, etc. Em Portugal temos de ir a locais específicos para consumir estas barras, e quem diz barras diz outras coisas.

Mas acha que ainda faz confusão aos consumidores irem ao seu café e verem à venda umas barras Paleo, por exemplo? É uma questão cultural?

 Não, acho que tem a ver com os lojistas que na sua maioria são fechados a novas ideias. É claro que são barras que não vão vender muito no início, mas sei que se elas estiverem disponíveis as vendas vão acontecer. Não tenho dúvidas que daqui a 10 anos os snacks com maus ingredientes vão desaparecer. Por exemplo, no Brasil os produtos não podem ter mais de 1% de gordura hidrogenada que é uma gordura assassina para as artérias, é a pior gordura que há. E é muito utilizada em vários produtos porque é mais barata.

Os produtos Gold Nutrition são caros?

São caros se tivermos a compará-los com marcas sem o critério de qualidade que nós temos e que não oferecem segurança ao consumidor. Este mercado tornou-se apetecível e há alguns produtos no mercado que não seguem as regras. As nossas proteínas são patenteadas. Poucas marcas dizem a proveniência das suas proteínas. Assim sendo, obviamente que os nossos produtos não podem ser os mais baratos. Mas em relação preço/qualidade somos das mais competitivas do mercado.

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