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Portugueses querem mais transparência por parte dos gestores das empresas

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98% dos portugueses gostariam de ver reforçada a transparência por parte de quem detém e controla as empresas, percentagem que desce para os 91% a nível global. A conclusão é do mais recente ‘Survey Global da EY sobre Fraude 2016’, que indica que 50% dos entrevistados nacionais acreditam que a corrupção em Portugal está generalizada.

Os resultados agora publicados mostram que para 28% dos portugueses inquiridos neste estudo “o comportamento não ético dos executivos pode ser justificado”. O tema tem estado na agenda mediática desde que foram revelados os Panama Papers e, segundo o estudo, para a grande maioria dos entrevistados, existe a necessidade de reforçar os níveis de transparência corporativa.

Pedro Cunha, Líder da linha de serviço da EY – Fraud Investigation & Dispute Services (FIDS) em Portugal e Angola, explica que “com o contínuo ênfase da implementação de controlos de anticorrupção na conduta de terceiros e as recentes revelações sobre uma eventual utilização abusiva de estruturas financeiras offshore, os gestores devem focar-se na garantia de uma compreensão mais profunda dos seus clientes, parceiros e fornecedores. Ou seja, o reforço da transparência é claramente um ponto central de amplo interesse público”.

No entanto, este aumento da transparência é apenas parte da solução de um problema que não mostra sinais de abrandar. Em Portugal, 50% dos entrevistados acreditam que o suborno e as práticas de corrupção são frequentes no seu país. Em 2014 essa percentagem era de 32%.

“Os reguladores reconhecem a ameaça que o suborno e a corrupção representam num sistema financeiro já sob pressão, e estão a cooperar cada vez mais a nível internacional para a responsabilização de indivíduos por atos ilegais. Estes esforços de execução recolhem bastante apoio por parte dos entrevistados em Portugal, que em 90% concordam que estes processos individuais contribuem ativamente para a dissuasão futura da corrupção, do suborno e da fraude”, indica o estudo.

Ainda assim, 28% dos inquiridos nacionais defendem que o comportamento não ético poderá ser justificado se este ajudar a atingir objetivos financeiros. A isso soma-se o facto de 16% dos membros das equipas financeiras a nível global, que não CFOs, revelarem que considerariam a realização de um pagamento em dinheiro para ganhar ou reter negócios.

O estudo indica também que nos mercados emergentes os indivíduos responsáveis pela corrupção não estão a ser responsabilizados: 70% dos entrevistados no Brasil e 56% dos entrevistados na África e Europa de Leste referem que, embora os Governos estejam dispostos a processar, não se revelam eficazes a conseguir condenações.

Pedro Cunha refere que “o aumento do nível de cooperação global entre as autoridades está a tornar mais difícil para quem pratica fraudes e paga subornos escapar às ações penais. No entanto, e como os entrevistados sugerem, não há sinais de que tais condutas estejam a diminuir; as empresas continuam a ser expostas a riscos grandes, impulsionadas pelas ações ilegais de uma pequena minoria de colaboradores. Um melhor uso da tecnologia é certamente parte da resposta, bem como recorrer a análises forenses de dados para gerir riscos e melhorar o compliance e resultados de possíveis investigações”.

Leia o estudo completo da EY.

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