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IT Market: a loja com “marcas que nunca mais acabam”

IT Market: a loja com “marcas que nunca mais acabam”
Foi preciso vencer o concurso Rising Store, da Sonae Sierra, para que Marta Lagoas pensasse seriamente em ter um negócio próprio. O seu conceito de ‘mercado’ conquistou um lugar num dos centros comerciais mais nobres de Lisboa – o Colombo – e está apostado em reunir no mesmo espaço físico as tendências que habitualmente estão apenas online.

Descreve a criação de um negócio próprio como “uma aventura” e dois anos depois de ter aberto uma loja que reúne no mesmo espaço várias marcas ainda se mostra incrédula pelo facto de a sua ideia, apresentada “à última hora”, ter sido distinguida. Falamos de Marta Lagoas, profissional da área da comunicação que virou empreendedora depois de vencer um dos lugares da competição Rising Store, que lhe deu a possibilidade de testar o seu conceito durante seis meses no Centro Comercial Colombo. “Eu trabalhava numa agência de comunicação. Já tinha algumas ideias para criar alguma coisa, mas nunca tinha apostado nisso. Concorri [ao Rising Store] por acaso e no último dia, quase na última hora, sem grande esperança, e com um projeto muito semelhante aquilo que é hoje o IT Market”, conta.

IT Market: a loja com “marcas que nunca mais acabam”

Marta Lagoas foi uma das vencedoras do concurso Rising Store, da Sonae Sierra

Foi passando todas as fases da competição e, quando deu por isso, o seu tinha sido um dos cinco projetos escolhidos.  O IT Market, como decidiu chamar o seu conceito, propôs-se a reunir no mesmo espaço físico as marcas que habitualmente habitam online ou em lojas de rua e criar “uma espécie de mercado” com produtos que não se encontram facilmente noutras lojas.  A Sonae Sierra gostou da ideia.

 

O desafio

“O verdadeiro desafio começou a partir daí (…) De repente caí na real e percebi ‘bom, nós agora vencemos…’ Quando venci não sabia ainda para que centro comercial é que ia, nem que espaço é que ia ter. Passado alguns dias fui à primeira reunião de aceleração de ideias, que é um apoio dado pela Sonae Sierra aos vencedores do concurso, e foi nessa fase que fiquei a saber que a minha loja seria no Colombo e no sítio mais central. Foi um bocadinho uma surpresa”, confessa ainda Marta Lagoas.
“Desde que soubemos que tínhamos ganho o concurso até abrir a loja tivemos um mês. Portanto foi um mês de loucos à volta de projetos de arquitetura, etc. Para quem nunca tinha tido um negócio foi bastante assustador. Foram muitas noites sem dormir. Foi um desafio muito grande”, acrescenta.
A ideia de reunir no mesmo espaço vários conceitos surgiu porque, de acordo com Marta Lagoas, “é um nicho que atrai muita gente e vimos que havia uma necessidade. As lojas destas marcas normalmente estão na rua, muitas vezes ‘fora de caminho’ em sítios difíceis de estacionar, ou nasceram online, nomeadamente no Facebook. Começámos a reunir esses contras todos, que essas lojas acabam por ter, e quisemos trazer o conceito para dentro do centro comercial, com a particularidade de que todos os meses as marcas iam mudando.”

 

IT Market: a loja com “marcas que nunca mais acabam”
Essa foi, aliás, uma premissa que acabou por ter que ser abandonada. É que de acordo com a criadora do conceito, “começámos a perceber quais as marcas que realmente funcionavam ‘à séria’ e não nos interessava não as ter. Agora temos parcerias durante mais tempo. Por outro lado, também nos conseguimos adaptar muito rapidamente às tendências do mercado. Se for verão temos a loja repleta de biquínis, toalhas… Quando chega ao inverno, tiramos esses produtos, que seguem para as marcas, porque trabalhamos em regime de consignação, e mudamos a loja e temos um look completamente diferente. Uma das nossas grandes mais-valias é que não estamos agarrados a um estilo. Podemos ter vários estilos e produtos.”

 

 

IT Market: a loja com “marcas que nunca mais acabam”

No IT Market estão disponíveis produtos como vestuário, acessórios, joalharia e produtos de lifestyle, como velas e agendas, uma variedade que segundo Marta Lagoas “agrada ao nosso cliente”, pessoas que “procuram coisas diferentes e que não querem andar igual a toda a gente”. Outra das premissas iniciais que acabou por ter que ser desfeita foi a ideia de reunir no IT Market apenas marcas nacionais. De acordo com Marta Lagoas, “rapidamente percebemos que as marcas portuguesas, além de não terem margens suficientes para estar num mercado tão competitivo como é o Colombo, não tinham stock suficiente. Acaba por ser uma grande fragilidade e no início tivemos que mudar isso porque começámos a perceber que as pessoas queriam determinado tamanho e não havia.” Agora “temos marcas que nunca mais acabam”.

 

Hoje em dia, um dos maiores desafios da nova empreendedora é ter que gerir pessoas e encontrar “quem entenda o projeto como se fosse delas”, mas também explicar o conceito às marcas com as quais contacta, que muitas vezes ‘franzem o sobrolho’ à ideia de estar num espaço com marcas com ‘personalidades’ diferentes das suas.
“É uma questão que eu acho que não faz sentido. Há marcas que não se identificam, de facto, mas isso também acontece quando vamos a um mercado, a um centro comercial…É uma questão que eu tive que desfazer. Se queremos estar no mercado não podemos estar preocupados em demasia com o outro. E depois há questão de serem marcas concorrentes…E então? A concorrência é saudável, as pessoas têm mais por onde escolher e se calhar até levam um de cada marca”, sublinha.
Estar online não faz parte dos planos do IT Market, até porque “é muito importante para as marcas terem uma presença física. Elas sentem isso e os próprios clientes dizem isso e vêm muitas vezes para experimentar determinado produto que viram online.” No entanto, crescer continua a estar nas ambições de Marta Lagoas, que “gostava de continuar aqui no Colombo”, já que “não vejo este conceito como loja de rua, como já muita gente nos sugeriu.”