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Sustentabilidade

Estudo quer perceber se comportamentos se alteram com etiquetas ecológicas

A dúvida sobre se a colocação de etiquetas ecológicas na alimentação altera o comportamento das pessoas é o que a nova investigação da Universidade de Oxford, em parceria com a empresa de serviços alimentares britânica Compass Group, está a tentar perceber, avança o The Guardian.

Para a criação das etiquetas, os investigadores analisaram os ingredientes de cada produto alimentar no menu de uma cantina e atribuíram uma letra de A a E, com A atribuído a uma sopa de vegetais e um E a um bagel com limão, cebolinho, queijo e atum. O teste está a ser conduzido em mais de uma dúzia de cafetarias do Compass Group no Reino Unido.

 

A adoção deste tipo de etiquetas, que analisam os indicadores de impacto ambiental, desde emissões ao uso de água, e o convertem numa única letra está a ganhar tração. Alguns negócios em França já adotaram etiquetas deste tipo e a ONG Foundation Earth anunciou o seu próprio estudo que vai começar no Reino Unido e na Europa este outono.

Desafios deste tipo de etiquetas

Previamente, durante a pandemia, os investigadores de Oxford realizaram um estudo num supermercado online no qual indivíduos recebiam dinheiro falso para completar uma lista de compras falsas. Esse primeiro teste revelou que a maneira mais eficaz de uma pessoa não comprar um item era se fosse usado um símbolo vermelho redondo com a palavra “pior” impressa.

No entanto, o investigador líder do projeto, Brian Cook, notou as limitações no mundo real desse sistema: “Não se vai conseguir que ninguém use isso a menos que os ameace com a legislação, porque eles não querem dizer ‘não compres isto’.”

Relativamente ao teste atual nas cantinas, também considera que poderá não resultar nos supermercados face ao excesso de informação já existente. “O imobiliário lá é altamente competitivo”, considerou.

Outro desafio é ao nível da escala, face à variedade de produtos existentes num supermercado. A acrescentar a esse problema, é o processo de criação da fórmula para determinar o impacto ambiental. “Há formas intermináveis de o fazer e de como se pesam os diferentes indicadores … como você quer empurrar as pessoas”, disse Brian Cook.

Esta equipa de investigação decidiu quatro indicadores para a fórmula deste ensaio: emissões de gases com efeito de estufa, perda de biodiversidade, poluição da água e uso da água (calculado de forma diferente com base na escassez de água em cada região). Cada indicador teve uma ponderação igual na equação para o impacto global.

Outras investigações analisaram o uso do território em vez da biodiversidade, ou utilizaram um total de 16 indicadores. Na opinião do investigador, um lançamento nacional de etiquetas ecológicas poderá ter de se basear em indicadores já prioritários pelas empresas ou mandatados pelos governos, para facilitar a integração das empresas.