Supply Chain

Movimentação de cargas: um setor em constante movimento

Movimentação de cargas: um setor em constante movimento

É possível inovar mesmo quando a concorrência é forte e as empresas competem entre si. E ainda que os clientes da distribuição e do retalho não recorram todos ao mesmo tipo de soluções, podem optar por alugar serviços e equipamentos de movimentação de cargas. Não há receitas iguais.Os entrevistados neste especial não se queixam do sucesso. É que o mesmo é visível ao final do ano quando se fazem contas e a faturação demonstra crescimento.

Um setor altamente competitivo. Não há dúvidas quanto a isso. Já o era em setembro de 2015 quando a DISTRIBUIÇÃO HOJE publicou um Especial dedicado ao tema, e assim continua. No entanto, para os responsáveis de algumas empresas que atuam na área de movimentação de cargas, a aposta em novas soluções e serviços tem permitido ganhar margem para continuar a crescer.

“Há algum tempo, éramos poucos os fabricantes instalados em Portugal. Hoje em dia, verifica-se uma aposta por parte de outros fabricantes que também se instalaram entre nós”, defende João Hébil, managing director España e Portugal da Manitou Group.

Há quem perspetive que o mercado estabilize nos próximos anos. É o caso de Paulo Pinto, diretor de Movimentação de Cargas da Ascendum Máquinas. “Poderá haver crescimento setorial nas máquinas elétricas ou de outras energias alternativas mais recentes, em detrimento de outros segmentos mais tradicionais”, defende.

Por outro lado, é notória a maior solidez das empresas nas novas soluções que apresentam aos clientes, permitindo aumentar o espaço para crescer. “O mercado em si tem-se mantido bastante estável, com níveis de crescimento baixos. O crescimento depende mais, na minha opinião, de conseguir ganhar mercado aos atuais concorrentes. Esta situação dificulta o aparecimento e crescimento de novas empresas, exceto se estiverem escudadas numa boa capacidade financeira e com a imagem de uma marca forte por trás do projeto”, acrescenta Carlos Carvalho, diretor geral da Empigest.

A realidade do setor conduz a desafios diários asociados à capacidade de identificação de necessidades dos clientes disponibilizando soluções adequadas e oferecidas em tempo real. “Para além de outras questões, como a disponibilidade, cada vez mais, imediata dos equipamentos/sistemas, e os tempos de resposta cada vez mais rápidos, há também o aumento da concorrência no setor da logística que impulsiona as empresas a serem mais eficientes. O desafio é encontrar a solução correta para otimizar o espaço de armazenagem e melhorar a produtividade no armazém. Para além disso, é necessário que os equipamentos e os sistemas de armazenamento possam ser integrados no sistema de gestão de armazém através de um interface logístico”, explica Mark Wender, managing director da Jungheinrich Portugal.

Tem-se assistido ainda a mudanças no que respeita aos recursos de energía. “Como um fornecedor completo de soluções de logística, a Jungheinrich está bem preparada para estes desafios”, sublinha.

É precisamente ao nível do recurso energético que a Manitou Group tem alguns desafios pela frente. “A introdução dos novos modelos no setor elétrico e o aumento da gama a nível geral são alguns dos nossos atuais desafios. Mas também a adaptação à nova legislação Europeia no que respeita ao controlo de emissões de motores, que nos últimos anos, não nos têm dado descanso. Não menos importante é a adaptação ao sistema de matriculação vigente desde 2015 que está longe de ser perfeito”, explica João Hébil.

A Ascendum Máquinas pretende ser mais eficiente no aproveitamento do conceito que intitula “Cliente Ascendum”. Paulo Pinto explica: “Como representamos outras marcas de nomeada, tais como, Volvo, Sennebogen, Sandvik, Ponsse, Terex, e mais recentemente, a Kioti, temos muitos clientes comuns que estão registados no nosso CRM. Por exemplo, um cliente que tenha um camião Volvo e uma máquina Sennebogen, provavelmente também precisará de um empilhador Yale para a sua atividade. Temos de detalhar esta análise e atuar comercialmente neste sentido”.

A Empigest tem traçado um caminho “de sucesso desde a sua criação”, defende o diretor geral. Criada há dez anos, é hoje, na opinião do responsável, uma das empresas de referência do setor. “Colocámos no mercado a marca Crown, a marca Bendi e a marca Cesab. Temos como principais desafios manter o crescimento que temos alcançado, ano após ano, apresentando as soluções mais adequadas aos nossos clientes com um nível de serviço elevado, com preços competitivos”, explica Carlos Carvalho. Em 2016, a empresa iniciou a comercialização da marca Bendi a nível ibérico, “e este novo projeto tem sido um sucesso, já com diversas unidades vendidas em Espanha. No trabalho diário, o objetivo passa por manter e melhorar a posição da empresa dentro do competitivo mercado nacional, quer com as marcas que a empresa representa, quer com o produto recondicionado, no qual creio sermos a empresa mais bem preparada a nível nacional. O crescimento na área do aluguer operacional é também uma aposta muito forte, que tem dado bons frutos ao longo dos anos, com a fidelização de clientes e renovação de frotas”, afirma Carlos Carvalho.

Novas exigências

As restrições da União Europeia no que respeita à maior eficiência de consumo e ao menor impacto ambiente têm tornado o negócio mais exigente. “É acima de tudo um compromisso”, explica Mark Wender que lidera uma empresa preocupada com o desenvolvimento de soluções ambientalmente sustentáveis. “São exemplo disso, as baterias de iões que substituem as baterias tradicionais de chumbo-ácido, e que podem ser usadas para qualquer empilhador, inclusive empilhadores de mastro retrátil e empilhadores contrapesados”, sublinha. Estas soluções permitem obter benefícios “económicos e ecológicos, com tempos de carregamento mais rápidos, sem necessidade de manutenção e com uma longa vida útil”. Estes equipamentos protegem o meio ambiente e “proporcionam um manuseamento seguro. Os equipamentos com baterias de iões de lítio também podem ser utilizados sem problemas, por exemplo, na indústria alimentar, em temperaturas de serviço entre -20 e 55 °C, porque não têm restrições de aplicação devido a gases e ácidos libertados”.

A Jungheinrich Portugal reduziu as emissões de CO2 nos últimos dez anos em toda a sua gama de produtos. “No segmento dos empilhadores elétricos, diesel e gás, chegamos a apresentar uma redução de mais de 25%”, adianta o responsável.

Para que se cumpra a legislação ambiental, o investimento por parte de construtores tem sido importante. “Muitas vezes, torna-se complicado passar os custos adicionais ao cliente final, o que não facilita a nossa função, mas também é verdade que alguma coisa tinha de ser feita nesta matéria e estamos todos em pé de igualdade”, refere João Hébil.

Na opinião de Paulo Pinto, as principais marcas do setor estão a responder a esta exigencia que, por sua vez, torna o negócio mais competitivo. “Esta é também uma das razões da Yale ter já investido muito dinheiro nesta tendência de maior eficiência energética com menor impacto ambiental”.

Carlos Carvalho considera que as marcas em geral têm sabido acompanhar as exigencias que lhes são colocadas “podendo haver somente diferentes tempos de resposta. Num mercado super competitivo, quaisquer novidades são temporárias, porque, de uma forma ou de outra, as marcas de topo vão reagindo aos desafios que o mercado lhes coloca. Continuo a acreditar que a maior exigência reside na capacidade de entender as necessidades dos clientes, e de saber propor as soluções adequadas, com profissionalismo e flexibilidade”, defende.

Comprar ou alugar?

No caso da Ascendum Máquinas, tem-se acentuado a tendência de aluguer de equipamentos com tudo incluído: “máquina serviço após-venda global, gestão de frota, entre outros”, o que tem permitido à empresa especializar-se nesta modalidade.

Também o Manitou Group tem registado um aumento da procura da modalidade de aluguer operacional. “Ainda assim, e quando falamos de clientes no setor da distribuição, no nosso caso concreto, prevalece a compra”, adianta João Hébil.

Por razões de maior flexibilidade e de forma a responder a picos de trabalho, bem como contar com um “alto grau de segurança e de planeamento, a Jungheinrich Portugal continua a verificar o aumento dos contratos de aluguer”, defende Mark Wender. O conceito de aluguer da empresa permite “garantir tempos de resposta rápidos e disponibilidade através da frota de aluguer que temos ao dispor”, sublinha o responsável.

No caso da Empigest, quer o aluguer, quer a compra, são hipóteses válidas, dependendo da forma como os clientes gerem os seus processos internos. “Existem de facto empresas que preferem alugar, entregando a responsabilidade da gestão das suas frotas aos especialistas. Todavia, algumas empresas preferem comprar, e estabelecer acordos que lhes permitam garantir a funcionalidade dos seus equipamentos. Não há uma solução que seja melhor do que a outra, mas a tendência nos últimos anos tem sido, de facto, o aluguer, que regista um crescimento significativo em detrimento da compra”, assinala Carlos Carvalho.

Segundo os dados públicos disponibilizados pelo Manitou Group, tendo a empresa fechado o ano de 2016 com uma faturação de “12,3 milhões de euros, esperando ter um crescimento mínimo na ordem dois dígitos, em 2017”, prevê João Hébil.

Foi precisamente um crescimento a dois dígitos que a Jungheinrich Portugal teve em 2016. Para este ano, “o objetivo é manter a tendência e continuar a crescer a este nível”, adianta Mark Wender.

O ano passado correspondeu, para  o Grupo Ascendum a um crescimento de “13% no volume de negócios, em comparação com 2015”, explica Paulo Pinto. As perspetivas para 2017 apontam para “a consolidação dos resultados dos últimos anos, acompanhando o crescimento também no após-venda”.

A Empigest, em 2016, “faturou quase 11 milhões de euros, crescendo quase 20%, e não obstante o crescimento registado ao longo do ano permitir pensar em fechar a ano com cerca de 15% de crescimento, o último trimestre revelou-se muito positivo, em particular os meses de novembro e dezembro. Iniciámos 2017 com pedidos de máquinas em carteira (negócios fechados em 2016 e a faturar em 2017) com uma expressão significativa, que nos permite dar como garantido que este ano corresponderá a um crescimento exponencial”, salienta Carlos Carvalho. As expetativas de crescimento rondam “os 60% de faturação, o correspondente a aproximadamente 17 milhões de euros”. O responsável acredita que a empresa poderá até superar os números referidos, caso mantenha a perfomance do ano anterior “em negócios de menor volume de máquinas”, adianta.