Economia

Bruxelas estima crescimento de 1,7% para Portugal em 2020 e 2021

Bruxelas estima crescimento de 1,7% para Portugal em 2020 e 2021

O Outlook de outono para a economia europeia, efetuado pela Comissão Europeia (CE), prevê para Portugal um crescimento económico moderado de 2,4% em 2018, para 2% em 2019 e 1,7% em 2020 e 2021, impulsionado por investimentos dinâmicos, mas oprimidos pelo comércio exterior.

Segundo os dados avançados, “a procura doméstica deverá permanecer forte e contribuir para o crescimento em 2019 devido a uma substancial recuperação do investimento no primeiro trimestre do ano”. A CE avança, ainda que “tanto o consumo privado como o investimento devem permanecer os principais impulsionadores do crescimento 2020-2021, embora a um ritmo decrescente”.

Os gráficos da Comissão mostram que o consumo privado, em Portugal, deverá manter-se em terrenos positivos, embora com um ligeiro arrefecimento. Assim, depois de, em 2018, a CE indicar um crescimento de 3,1%, o ano de 2019 a evolução não irá além dos 2,3%, sendo que para 2020 e 2021 se estime crescimentos de 2% e 1,9%, respetivamente.

Já o que toca ao consumo público, a CE revela que se manterá estável. Ou seja, depois de em 2018 ter tido uma alta de 0,9%, para os anos 2019, 2020 e 2021 prevê-se um crescimento de 0,8%.

Preocupante para ser a balança de compra e vendas, ou seja, importação vs exportação. Em 2018, a CE aponta um crescimento das importações na ordem dos 5,8%, enquanto as exportações evoluíram 3,8%. Para o presente ano, as estimativas referem um crescimento de 4,6 e 2,7%, respetivamente. Este desequilíbrio mantém-se favorável às importações nos próximos dois anos (2020 e 2021), com as indicações a preverem um crescimento das importações de 3,9% e 4%, respetivamente, enquanto as exportações deverão evoluir 2,7% e 2,8%, respetivamente.

Um futuro pleno de desafios
De acordo com a Comissão Europeia, “a economia europeia está atualmente no seu sétimo ano consecutivo de crescimento, prevendo-se que continue a expandir-se em 2020 e 2021”. Os mercados de trabalho mantêm uma forte dinâmica e o desemprego continua a diminuir. No entanto, o contexto externo tornou-se muito menos favorável e o grau de incerteza é elevado. Esta situação afeta particularmente o setor da indústria transformadora, que está também a passar por mudanças estruturais. Consequentemente, a economia europeia deverá entrar num período prolongado de crescimento menos dinâmico e inflação modesta.

Prevê-se que o Produto Interno Bruto (PIB) da área do euro cresça 1,1% em 2019 e 1,2% em 2020 e 2021. Em comparação com as previsões económicas do verão de 2019 (publicadas em julho), as previsões de crescimento diminuíram 0,1 pontos percentuais (p.p.) em 2019 (a partir de 1,2%) e 0,2 p.p. em 2020 (a partir de 1,4%). Para a UE no seu conjunto, prevê-se um aumento do PIB de 1,4% em 2019, 2020 e 2021. As previsões para 2020 foram também revistas em baixa comparativamente ao verão (a partir de 1,6%).

O vice-presidente Valdis Dombrovskis, responsável pelo Euro e pelo Diálogo Social, bem como pela Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais, afirma que “até agora, a economia europeia demonstrou capacidade de resistência face a um contexto externo menos favorável: o crescimento económico tem prosseguido, a criação de emprego tem sido sólida e a procura interna é forte. No entanto, poderemos ser confrontados com um período conturbado no futuro, dada a grande incerteza relacionada com conflitos comerciais, o agravamento das tensões geopolíticas, a fragilidade persistente do setor da indústria transformadora e o Brexit. Convido todos os países da UE com níveis elevados de dívida pública a prosseguirem políticas orçamentais prudentes e a colocarem os seus níveis de dívida numa trajetória descendente. Por outro lado, os Estados-Membros que dispõem de margem de manobra orçamental devem utilizá-la agora”.

Já para Pierre Moscovici, comissário responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira, “todas as economias da UE deverão continuar a expandir-se nos próximos dois anos, apesar dos fatores económicos cada vez mais adversos. Os parâmetros fundamentais da economia da UE são robustos: após seis anos de crescimento, o desemprego na UE atingiu o seu nível mais baixo desde o início do século e o défice agregado é inferior a 1% do PIB. Mas os desafios que se colocam não deixam qualquer margem para complacência. Todos os instrumentos de política económica terão de ser utilizados para reforçar a resiliência da Europa e apoiar o crescimento”.

Riscos mantêm-se principalmente no sentido da baixa
Alguns riscos poderão conduzir a um crescimento inferior ao previsto. Um novo aumento do grau de incerteza ou um agravamento das tensões comerciais ou geopolíticas poderá travar o crescimento, o mesmo sucedendo com uma desaceleração mais acentuada do que o previsto na China devido a efeitos mais ténues das medidas estratégicas adotadas até à data. A nível da UE, os riscos incluem um Brexit caótico e a possibilidade de as vulnerabilidades do setor da indústria transformadora terem um efeito de contágio mais significativo nos setores orientados para o mercado interno.

Ao invés, o abrandamento das tensões comerciais, o aumento do crescimento na China e a redução das tensões geopolíticas constituirão fatores que contribuirão para o crescimento. Na área do euro, seria igualmente benéfico para o crescimento se os Estados-Membros com margem de manobra orçamental optassem por orientações da política orçamental mais expansionistas do que o programado. No entanto, de um modo geral, preponderam os riscos de revisão em baixa.