Sustentabilidade

Qual é a responsabilidade das marcas num futuro ‘verde’?

Qual é a responsabilidade das marcas num futuro ‘verde’?

A Sociedade Ponto Verde (SPV) reuniu esta segunda-feira (28 de outubro) marcas e especialistas em comunicação e sustentabilidade para debater o futuro da reciclagem. Em matéria de sustentabilidade estão todos de acordo: ainda existe um gap entre o que o consumidor pensa e o que faz e as marcas devem assumir um papel ainda mais ativo na promoção de um consumo consciente e na educação para a separação de resíduos.

Ana Isabel Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, encetou o debate explicando que a SPV tem procurado juntar “a nossa mensagem à mensagem das marcas. O consumidor é muito preocupado com o tema do ambiente e da reciclagem e gosta de marcas amigas do ambiente. Mas temos de trabalhar e colaborar mais. As embalagens podem ser um veículo de comunicação para que promovamos um consumo mais consciente”.

Já Nuno Dias, Diretor de Clientes da SPV, lembrou que este ano, já cerca de 4300 milhões de embalagens foram colocadas no mercado com ícone de deposição seletiva, uma medida que está a ser incentivada pela organização, que tem a decorrer a campanha de comunicação ‘Recicle Sempre’ e que oferece vantagens aos associados que mais se envolverem com esta missão, promovendo a reciclagem junto dos seus consumidores através dos seus vários canais de comunicação.

Edson Athayde, CEO da FCB Lisboa, Luísa Schmidt, investigadora do ICS-ULisboa, e Tiago Canas Mendes, co-fundador da agência ‘O Escritório’ debateram a Responsabilidade das Marcas Num Futuro Verde numa mesa redonda moderada por Manuela Botelho, Secretária Geral da Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN).

A investigadora Luísa Schmidt, que se tem dedicado a estudar temas como o consumo consciente, explicou que “há uma tendência para o crescimento do consumidor ético e explorador [que procura informação sobre as marcas e produtos]”, consumidores que se preocupam com valores como a saúde, a poupança e valores éticos associados aos produtos que compram. Além disso, de acordo com a investigadora, “os consumidores mais jovens são hoje mais críticos perante a publicidade e mais atentos quando as marcas não são sinceras na sua comunicação”.

O publicitário Edson Athayde lembrou que “a comunicação é importante, mas não resolve tudo” e que “a publicidade é cada vez menos ardilosa (…)”, sendo cada vez mais fácil “desmontar uma mentira”. Athayde acredita ainda que as marcas que se irão destacar “são aquelas que têm uma preocupação sincera”.

Tiago Canas Mendes, da agência ‘O Escritório’, lamentou que em Portugal ainda se esteja “sempre à espera que os Governos regulem as coisas e hoje em dia os consumidores olhem para as empresas como os responsáveis quando se fala em questões ambientais. A responsabilidade é de todos nós!”

Qual é a responsabilidade das marcas num futuro ‘verde’?

Indo ao encontro do que defendeu Edson Athayde, Tiago Canas Mendes sublinhou ainda que “hoje, os consumidores são muito informados, exigem mais às empresas e usam canais muito diretos sempre que a publicidade tenta dizer-lhes inverdades. Só faz sentido haver propósito se houver um compromisso. A mentira tem perna curta e hoje mais facilmente as pessoas percebem se as empresas não forem honestas.”

A questão ‘A Sustentabilidade Vende?’ foi o mote para uma conversa moderada por Gonçalo Lobo Xavier, Diretor Geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), e que contou com Alexandra Alves da Cunha, especialista em Design Sustentável, Carolina Afonso, especialista em Marketing, e David Camocho, Designer especializado em Sustentabilidade e Economia Circular.

Alexandra Alves da Cunha pediu às empresas presentes que “pensem na sustentabilidade em todos os projetos” e defendeu que “hoje em dia, é importante ser e parecer”. A especialista em Design Sustentável afirmou ainda que a sustentabilidade “passa pela educação do consumidor e cabe-nos a nós profissionais criar produtos que sejam mais sustentáveis”.

 

Qual é a responsabilidade das marcas num futuro ‘verde’?

Carolina Afonso, marketeer e coordenadora da Pós-Graduação em Marketing e Sustentabilidade do ISEG, lembrou também que “ainda existe um gap entre o que o consumidor pensa e o que faz. O consumo sustentável ainda tem uma série de obstáculos: o preço, porque estes produtos são mais caros, a parte funcional, como observamos por exemplo com os automóveis elétricos, e a conveniência, porque muitos destes produtos não estão tão massificados ou não são tão visíveis no linear. O marketing tem um papel muito importante na educação do consumidor, caso contrário estaremos sempre a falar de uma utopia”.

O Designer especializado em Sustentabilidade e Economia Circular, David Camocho, disse ainda que “temos de adicionar valor ao que colocamos no mercado. E temos de suprir as nossas necessidades de forma mais eficiente, mudando os nossos modelos de negócio. Para isso é preciso mostrar que, a médio prazo, vamos continuar a gerar riqueza. É possível ser sustentável e rentável!”