Consumo

Portugueses gastam mais e compram mais caro

Portugueses gastam mais e mais caro

Os portugueses encontram-se a gastar mais e a comprar produtos mais caros, revela o Nielsen Growth Reporter, análise que compara dinâmicas globais de Mercado (valores e unidades vendidas) no setor europeu de Bens de Grande Consumo, referente ao 2.º trimestre de 2019.

De acordo com a consultora, verifica-se que no mercado português, tal como no trimestre anterior, um equilíbrio quase perfeito entre o crescimento em volume e valor nos Bens de Grande Consumo, admitindo a Nielsen que “esta tendência de crescimento no consumo evidencia uma melhoria da situação pessoal e financeira entre os consumidores”.

O crescimento em valor verificado neste 2.º trimestre – 4,2% – pode ser em parte explicado por um efeito de calendário, uma vez que o período homólogo não incluiu as semanas prévias à Páscoa, o que aconteceu este ano. “É, contudo, inquestionável que o consumo em Portugal se encontra numa situação positiva: os Bens de Grande Consumo (BGC) apresentaram neste trimestre o maior crescimento do último ano”, refere a Nielsen.

Dissecando os números, a análise da consultora revela que, neste 2.º trimestre de 2019, os consumidores gastaram mais 2,2% pelos produtos adquiridos (efeito-preço), enquanto os volumes aumentaram também 2%, totalizando um crescimento em valor de 4,2% sobre o período homólogo.

Portugal destaca-se relativamente à média europeia, fazendo parte do Top 10 (6.º lugar) dos países nos quais o consumo mais cresce: 4,2% em Portugal face a uma média europeia de 3,4%.

Quando comparado com uma realidade ainda mais próxima, a média dos 15 países que constituem a Europa Ocidental, verifica-se que, em Portugal, os Bens de Grande Consumo cresceram o dobro em valor (4,2% versus 2,1%) e quatro vezes mais em volume (2% versus 0,5%).

No que diz respeito à performance por categorias, são as Bebidas que apresentam o maior dinamismo do trimestre, com crescimentos de 10% nas Não-Alcoólicas e 8% nas Alcoólicas. Também os Congelados (+7%) e a Higiene Pessoal (+5%) crescem acima da média dos Bens de Grande Consumo. Higiene do Lar apresenta uma variação de 4% e Mercearia cresce 3%. Os Laticínios mantêm-se estáveis relativamente ao ano anterior.

Confiança em alta
Segundo os dados da Nielsen, Portugal regista um Índice de Confiança de 94 pontos, um aumento de nove pontos face ao período homólogo e um dos valores mais altos de sempre. Invertendo o seu histórico pessimismo, os portugueses revelam agora um nível de otimismo superior ao registado na média Europeia (87 pontos), ultrapassando países como Espanha (90), França (81) e Itália (69).

A Saúde e o Equilíbrio entre a vida pessoal e profissional assumem carácter prioritário entre os consumidores. Estas duas preocupações são ambas apontadas por 27% dos consumidores, deixando a quase dez pontos percentuais a preocupação com a sua situação profissional (18%).

Após pagarem as suas despesas habituais, são cada vez menos os portugueses que dizem que não lhes sobra dinheiro (apesar de ainda representarem 1/6 da população). Do dinheiro que lhes resta, são cada vez mais aqueles que gastam em entretenimento fora de casa, férias ou viagens e na compra de roupa. No entanto, os portugueses voltam a apontar a poupança como principal prioridade (51%).

Como será o resto do ano?
“O aumento do nível de confiança dos consumidores portugueses e a sua atenção para o bem-estar, a saúde e o lazer são sinais de uma mudança que já aconteceu. Os portugueses estão mais positivos, têm mais dinheiro disponível, e querem gastá-lo em algo que lhes traga algum tipo de benefício”, refere Ana Paula Barbosa, Retailer Services Director da Nielsen Portugal.

A responsável da consultora salienta ainda que “após um período de alguma estabilização em volumes e crescimento em valor, assistimos agora a crescimentos em ambas as partes: neste trimestre, os consumidores compraram mais e também gastaram mais”. E conclui que, para o resto do ano de 2019, “identificamos oportunidades de crescimento nas categorias de valor acrescentado, que trarão certamente mais espaço para crescimentos em valor”.