Retalho

Retalho continua a dominar investimentos em imobiliário comercial

Retalho continua a dominar investimentos em imobiliário comercial

O investimento em imobiliário comercial no mercado português cresceu cerca de 106% no segundo trimestre deste ano, para 651 milhões de euros. De acordo com os dados divulgados pela consultora JLL, no primeiro semestre do ano, o volume de investimento ascendeu os 1000 milhões de euros.

Segundo a JLL, o retalho continua a ser o setor dominante, com 40% do investimento imobiliário comercial realizado no semestre, mas o imobiliário industrial e de logística aumentou o seu peso cerca de dez vezes, crescendo para os 30%.

Pedro Lancastre, Managing Director da JLL, sublinha que “tem sido mais um grande ano para o mercado de investimento em Portugal e, da nossa parte, estamos muito orgulhosos por contribuir para esta atividade e participar nas principais operações. O mercado teve um volume de investimento recorde no primeiro semestre e, mesmo assim, tudo indica que o melhor do ano ainda está para vir.”

“Só a JLL tem em mãos mandatos para a venda de mais de 1500 milhões de euros de ativos imobiliários. Tendo em conta as negociações e diligências que temos em curso no âmbito destes mandatos, tudo nos leva a crer que grande parte deste volume de investimento se vá concretizar ainda no decurso do ano. Por isso, 2017 tem tudo para ser um ano histórico para o imobiliário português, superando a barreira máxima dos 1764 milhões de euros atingida em 2015”, acrescenta.

No primeiro semestre do ano, o imobiliário industrial e de logística teve um papel de destaque, ao aumentar a sua quota no total investido de 3% em 2016 para 30% nos primeiros seis meses deste ano. De acordo com a JLL, este crescimento “deve-se à transação do portfólio Logicor, que envolveu um investimento de 260 milhões de euros em ativos desta natureza sobretudo localizados na Grande Lisboa. Outros negócios realizados no 1º semestre foram, no retalho, a venda do Vila do Conde Outlet, por 130 milhões de euros; e, nos escritórios, do edifício Guitarras, em Lisboa, por 50 milhões de euros. Este último segmento concentrou 24% do investimento semestral.”

Fernando Ferreira, Head de Capital Markets da JLL, refere que “o retalho vai continuar a ser um dos principais alvos para o investimento, especialmente porque é um tipo de ativo que envolve um ticket médio mais elevado e adequado à dimensão de negócio pretendida pelos investidores internacionais. Por outro lado, há uma tendência generalizada na Europa de alargar a abrangência geográfica na procura deste tipo de investimento, o que poderá beneficiar mercados mais secundários e trazer ainda mais capital para Portugal nesta área e novos investidores a estrearem-se por cá”.

Importa anda referir que o investimento estrangeiro voltou a aumentar o seu peso no mercado, tendo sido responsável por 90% do volume investido no semestre, depois de ter encerrado 2016 com uma representatividade de 85%.

No que diz respeito ao perfil do investidor, a consultora revela que destacam-se os fundos de investimento, que geraram 856 milhões de euros (85% do total). Os investidores institucionais, os REIT e os familly offices (capital privado) concentram os restantes 150 milhões de euros, com quotas de 9,5%, 4% e 1,5% do total, respetivamente.