Produção

Vendas de vinho aumentam e perspetivas são positivas

Vendas de vinho aumentam e perspetivas são positivas

O mercado nacional de vinhos está num bom momento e as previsões para o futuro são de crescimento. Manuel Carvalho Martins, da Nielsen, destacou que as vendas de vinho cresceram mais no On Trade (8%) que no Off Trade (4%), “o que acontece pela primeira vez desde há, pelo menos, dez anos”, mas no Retalho Alimentar o preço da garrafa subiu, ao contrário da Restauração.

O New Business Development Manager da Nielsen explicou, numa conferência de imprensa dia 12 de dezembro, que “o mercado de vinhos em Portugal demonstra um dinamismo muito positivo, sendo hoje um mercado com produtos de muito boa qualidade. Os vinhos representam um cluster muito relevante na economia nacional, apresentando também um forte dinamismo nas exportações realizadas”.

Qualidade, Comunicação e Exportação são aliás as ferramentas que Manuel Carvalho Martins considera serem fundamentais para aproveitar os fatores positivos que estão a influenciar este mercado: apetência para o consumo de vinho; produto nacional de qualidade; comunicação diferenciada; muito boa relação qualidade/preço; pressão promocional; e rentabilidade.

Para o analista “o crescimento deste mercado passa por continuar a criar a apetência ao vinho como produto nacional de grande qualidade e com uma boa relação qualidade/preço, ganhando consumidores a outras categorias. De facto, numa realidade em que os consumidores estão mais disponíveis para o consumo e para a experiência, a qualidade e a diferenciação são fatores fundamentais para que o mercado do Vinho continue a apresentar tendências positivas”.

Promoções criativas

Sobre a pressão promocional salientou que “a atividade promocional tem de ser criativa ou a prazo será insustentável para todos”, adiantando que “muitos produtores já começaram a mostrar alguma criatividade com a criação de ‘categorias’ como o Premium, Selection, etc. para as promoções” e o resultado é que “o preço médio promocional dos vinhos tem vindo a subir”.

Já em relação à exportação, que representa cerca de 20% da produção nacional, Manuel Carvalho Martins afirmou que “as previsões do IVV, com quem trabalhamos em conjunto, apontam para se poder atingir os mil milhões de euros de vendas de vinho nacional no exterior em 2019, uma vez que este ano se vai conseguir ultrapassar a barreira dos 750 milhões de euros, devendo rondar os 800 milhões”.

Garrafa e BiB crescem à mesma taxa

O mercado dos Vinhos em Portugal apresentou um crescimento de 8% em volume no canal On Trade (Restauração – INCIM) e 4% no canal Off Trade (Retalho Alimentar – INA), entre setembro de 2016 e o mesmo mês de 2017. No que diz respeito às embalagens, Garrafa (42,5%) e Bag in Box (39,6%) continuam a ocupar as maiores fatias do mercado, crescendo ambas a 5% no último ano móvel. O Barril ganha especial importância no consumo fora de casa (On Trade), com um crescimento de 25% e uma quota de mercado que já atinge os 8%.

Embora todos os tipos de vinho apresentem crescimentos – Regional +2% e VQPRD (IGP e DOC) +3% – é o Vinho de Mesa nacional o mais dinâmico, crescendo 7% no total do mercado em Portugal. Um crescimento aliado à evolução do Bag in Box, porque este tipo representa 85,3% do BiB.

Neste período, nos canais Hipers+Supers 54% das vendas de vinho de garrafa foram realizadas através de promoções, tendo este valor crescido dois pontos percentuais face ao ano anterior e com aumentos em todas as regiões vitivinícolas.

Com estes níveis de promoção do vinho acima da média dos Bens de Grande Consumo, Manuel Carvalho Martins, voltou a frisar a importância “de promoções de qualidade, que incentivem a inovação e proporcionem ao consumidor a capacidade de comprar produtos mais sofisticados, mais caros e em maior quantidade”.

No que se refere às diferentes regiões vitivinícolas, também se verificam comportamentos distintos de acordo com os mercados. Na Restauração verificou-se uma maior procura de vinhos em garrafa das regiões do Douro, Minho e Tejo. No mercado Off Trade as regiões que mais crescem são Lisboa, Dão e Setúbal.

Todavia, apesar da descida de dois pontos percentuais, o Alentejo continua a dominar nos dois canais, com 34,9% das vendas.

Feiras de vinho ganham importância

Sendo esta uma altura determinante para o comportamento do Vinho, em 2017 as feiras de vinhos ganharam importância neste mercado, apresentando um crescimento em valor de 8%.

As vendas de vinho nas superfícies comerciais representaram 17% do total de vendas do ano em valor, um crescimento de um ponto percentual face ao período homólogo. Nas feiras de 2017, as regiões que apresentaram maior dinamismo em volume foram o Dão (+25%) e o Douro (+22%). Apesar de o Alentejo (-1%) apresentar um ligeiro decréscimo em quantidade, esta região cresce 8% em faturação.

“As feiras de Vinhos de 2017 confirmaram a boa performance do mercado de Vinhos, com vendas bastante superiores neste ano e crescimentos ainda maiores em faturação, comparativamente a 2016. Também o verão foi muito positivo para os Vinhos, assim como para todo o setor de bebidas, com vendas acima de 2016”, explicou o New Business Development Manager da Nielsen.