Retalho

Pop The Bubble: rebentar a bolha do retalho tradicional

Imagem2

O nome mostra que ali, naquela loja online, moram produtos ‘fora da caixa’. A Pop the Bubble Store é uma plataforma de e-commerce nacional que quis rebentar a bolha em que vivia o retalho e reunir num único espaço objetos de lifestyle inovadores.

Foi há cerca de dois anos que Dina Horta, de 34 anos, decidiu pegar no seu gosto por objetos diferentes e bonitos para realizar um desejo antigo: ter um negócio próprio. “Eu sempre viajei muito e o que mais me seduzia nas cidades era ir à procura de novas marcas e novos produtos e acabava sempre por trazer produtos dessas viagens. Os meus amigos acabavam por me elogiar e pediam que na próxima viagem que fizesse também lhes trouxesse coisas”, revela a fundadora da Pop The Bubble Store.

Começou a ver a ver aí uma oportunidade de negócio e decidiu aventurar-se com a abertura de uma e-store com produtos de todo o mundo para mulheres urbanas, cosmopolitas e que gostam de detalhes e de ter coisas diferentes.
Segundo Dina Horta, “o que torna o site especial é a curadoria dos produtos e as pessoas conseguirem encontrar sempre produtos que, à partida, não estão ainda disponíveis na Europa e cá em Portugal. Logo no início introduzimos a ‘memobottle’, uma garrafa de água australiana que não estava ainda cá, e desde aí temos trazido sempre novas marcas.”

Dina Horta fundou a Pop the Bubble Store

As exigências de ter um negócio próprio levaram-na a abandonar o Design 3D, área em que é especializada, mas para a qual deixou de ter tempo disponível. “Comecei com esta ideia sozinha, para ver até onde conseguia ir, e entretanto tive que deixar o meu trabalho porque não dava para conjugar as duas coisas. Tornou-se impossível. Neste momento tenho vários colaboradores em regime de freelance, mas este ano ainda farei a primeira contratação para a empresa a tempo inteiro”, conta.
A procura dos produtos continua a ser feita nas suas viagens, mas Dina Horta tem agora que dedicar também uma parte considerável do seu tempo a pesquisar online a próxima grande tendências e os produtos de lifestyle que podem agradar ao seu tipo de público.

“Tento descobrir produtos olhando para o lifestyle de cada país e tento ver que novidades estão a surgir e o que poderá ser interessante. É no online que eu encontro muitas marcas.” Mas conseguir que as marcas estejam dispostas a estar presentes numa loja online que, para muitos casos, é gerida do outro lado do mundo, é um trabalho moroso.
“No início foi difícil e exigiu muito trabalho. Tínhamos um plano de marketing para introduzir as marcas no mercado português e no mercado europeu e no fundo foi um voto de confiança por parte das marcas. Claro que houve alguns ‘não’. Mas também houve muitos ‘sim’ e as marcas acabaram por apostar e até agora não se têm arrependido”, explica.

A evolução do negócio tem sido tão positiva que no final de agosto foi lançada uma nova plataforma com uma estrutura “mais dinâmica”, já que o site anterior “já se estava a tornar limitado”.

“Em termos de produtos temos vindo a adaptar-nos ao que os nossos clientes nos pedem e às novas tendências, ao streetstyle, etc.”

Em termos de produtos temos vindo a adaptar-nos ao que os nossos clientes nos pedem e às novas tendências, ao streetstyle, etc. Estamos muito atentos a isso, até porque os artigos de lifestyle estão sempre muito a par com a moda. Muitos dos nossos acessórios são quase como os acessórios de moda que os nossos clientes usam. Começámos por um segmento de produtos que era basicamente material de escritório, estacionário e alguns acessórios que se complementavam, como as garrafas de água, copos para o café, headphones, alguns acessórios tecnológicos, etc., mas este ano fizemos uma nova aposta, que são os sapatos. A receção por parte das clientes foi excecional, embora seja um produto um pouco ‘fora’ em relação ao resto”, revela.

Ter uma loja online “não é tão fácil como se pensa”

A empreendedora confessa também que ter uma loja online “não é tão fácil como se pensa”. Para além das regras a que todos os comerciantes têm que se submeter, seja a nível legal ou financeiro, a disponibilização de um produto numa plataforma de e-commerce traz desafios que uma loja física não tem.
“Colocar os produtos no site não é tão fácil como colocá-los numa loja. Temos que fazer a sessão fotográfica, a descrição…E a descrição dos artigos tem que ser cativante, porque os clientes não têm o produto à frente. Têm as imagens e a descrição, mas não podem tocar. Todas as pessoas acham que é super fácil. Mas tudo o que está à volta do produto tem que ser extremamente pensado porque as pessoas não têm outra forma de o ver.”

E como acredita que é preciso encontrar formas para estreitar as barreiras entre o físico e o digital, Dina Horta e a sua Pop the Bubble Store vão agora dar um novo passo, com a aposta em espaços de retalho temporários que permitam aos clientes ter contacto com a sua oferta.
A primeira pop-up store estreou-se em Lisboa, na Rua da Prata, no passado dia 1 de setembro e em breve vem um desafio ainda maior: a Topshop de Oxford Street, em Londres.
“Somos uma empresa nativa digital, mas queremos conectar-nos com o offline. Temos que criar relação para que os clientes do offline passem a ser clientes do online. No online não conseguimos chegar a todas as pessoas. Temos a noção de que conseguimos explorar mais mercado tendo uma presença offline pontual. Não pretendemos de forma alguma ser uma loja física, mas queremos criar experiências nas pop-up que vamos abrir para que o cliente se torne parte da nossa marca e sinta a experiência.”

“O plano para os próximos dois anos é ter várias pop-up em Lisboa, em Londres e em Madrid ou Barcelona. A de Londres vai acontecer ainda no final deste ano”

“O plano para os próximos dois anos é ter várias pop-up em Lisboa, em Londres e em Madrid ou Barcelona. A de Londres vai acontecer ainda no final deste ano. Está fechada e vai ser na Topshop de Oxford Street. Vai ser um passo importante no mercado do Reino Unido”, acrescenta.
E precisamente por ser importante exigiu persistência. “Primeiro pensámos em ir para Londres, porque é um dos mercados que mais nos atrai. O mercado do Reino Unido é um bom mercado para nós e fomos à procura de um espaço para ter uma pop-up e chegámos até a uma empresa que é a Appear Here e que faz o aluguer de espaços para pop-up stores. Percebemos que o melhor espaço seria a Topshop, mas o processo de seleção das marcas que estão lá não é fácil.”Depois de um modelo 3D, que permitisse à marca britânica perceber o conceito da pop-up da Pop The Bubble Store, a proposta veio recusada. A cadeia de vestuário do Reino Unido não queria no seu espaço produtos que entrassem em conflito com os que oferece. Mas a empreendedora portuguesa não desistiu.

“Não desistimos, de todo!”

“Não desistimos, de todo! Fizemos uma seleção de produtos que de forma nenhuma entrassem em conflito com os deles e que os complementassem e que fossem algo que os clientes deles pudessem gostar. Depois disso eles perceberam o nosso estilo e gostaram do que viram. Temos o contrato fechado desde março e só vai acontecer em dezembro. Quando eu fiz a proposta disse sempre que teria que ser em dezembro para aproveitar uma altura em que as pessoas estão mais disponíveis para comprar porque queremos que conheçam a marca e que comprem”, explica.
Mas não se quer fica por aqui. Na sua opinião existem mais mercados com “um potencial gigantesco”. “Por exemplo o mercado brasileiro para o qual ainda não conseguimos avançar por questões de Alfândega…Ainda assim expedimos para lá e temos imensos clientes brasileiros. Claro que a conversão em relação aos visitantes não é a que gostaríamos porque os clientes sabem que por questões de Alfândega podem receber o produto em sete dias ou daqui a um mês…”

Dina Horta criou a Pop the Bubble Store

O desafio é ainda maior porque toda a logística de envio dos produtos de todas as marcas é gerida pela Pop the Bubble Store. “Somos nós que enviamos porque a forma como nós tratamos as encomendas também é algo que nos diferencia. Temos stock e achamos que não poderia funcionar de outra forma. Tendo em conta que temos marcas da Austrália, dos Estados Unidos da América…

Nós garantimos entregas muito rápidas e de outra forma não conseguíamos garantir isso. Fazemos a preparação da encomenda e os detalhes estão em tudo o que fazemos. Fazemos tudo de forma a que cada encomenda seja um presente para o cliente porque a forma como eles recebem as encomendas é um momento de grande expetativa e queremos que seja completamente diferente de receber uma caixa sem grandes cuidados. Não colocamos a hipótese, pelo menos para já, de passar o envio para as mãos dos nossos parceiros”. Para chegar a novos mercados, a estratégia para os próximos dois anos passa sobretudo por investir em marketing digital, uma aposta que, segundo Dina Horta, “nos vai permitir dar o próximo passo.

Uma das coisas que conseguimos na Academia de Comércio, para além de validar o nosso conceito, foi perceber que o que nos faltava era uma aposta em Marketing Digital, porque todas as pessoas que nos conhecem são clientes, continuam a ser clientes e recomendam às amigas, por isso temos potencial para chegar a outro patamar.

Para além desse grande plano, a empresa nacional vai continuar a planear formas inovadoras de se apresentar no retalho físico, até porque, diz Dina Horta, “as lojas físicas não vão morrer, de todo. As empresas online vão ter que passar pelo físico de qualquer forma, seja com lojas permanentes seja em regime de pop-up stores. E ainda falta muito para que todos os nossos clientes comprem online. Há muitas pessoas que querem ver, querem tocar. E é por isso que queremos apostar no formato das pop-up, porque queremos dar a oportunidade de verem os produtos e depois sentirem-se mais confiantes para comprar online. Eu acredito que o que os retalhistas têm que fazer é tornar as lojas offline apelativas para o público digital e é mesmo essa a nossa estratégia.”