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Eight – The Health Lounge: “a ideia sempre foi internacionalizar o projeto”

“A ideia sempre foi internacionalizar o projeto”

Os conceitos de healthy food e healthy living vieram para ficar e são cada vez mais os espaços que apostam em comida biológica e natural. Um dos exemplos é o recém-inaugurado Eight – The Health Lounge, que aposta num menu vegan e numa loja com produtos variados. Uma tentação em plena Praça da Figueira.

“Simplificar, embelezar e transformar a vida de com quem nos cruzamos, através da partilha de oito princípios simples que conduzem a uma existência saudável e plena”. É desta forma que os criadores do Eight – The Health Lounge resumem o novo espaço que abriu no início de fevereiro em plena Praça da Figueira, em Lisboa.

“Oito segredos que não se guardam, partilham-se, todos bem à vista de quem os quiser perceber e seguir. Não são enigmas exclusivos ao entendimento de iluminados ou tesouros decifrados apenas por quem tem mapa: são princípios que a vida nos coloca bem à frente dos olhos, tão perto que mal se veem”, confessam Nancy e Ruben, os criadores do conceito. O facto de viverem no Canadá fez com que Lara Silva, irmã de Nancy, ficasse responsável pelo espaço.

Eight – The Health Lounge
“Há alguns anos, o pai do Ruben teve um problema oncológico e não quis optar pela quimioterapia, mas sim por alterar a alimentação e o estilo de vida. Essa mudança de hábitos mudou completamente a sua vida, fez com que ultrapassasse a doença e desde então a minha irmã e o meu cunhado passaram a interessar-se por este estilo de alimentação”, revela Lara. O facto de o cunhado viajar bastante, por ter negócios em vários cantos do mundo, e estar sempre à procura de espaços vegan fez com que tivessem a ideia de criar este conceito.

“Este é o primeiro espaço que abre como resultado de uma mistura de ideias, combinadas com o estilo de vida deles. É muito à imagem dos dois, quer em termos de alimentação, como a nível da decoração”, diz Lara.
Quem entra no Eight – The Health Lounge dificilmente consegue imaginar que o espaço era uma das agências da Caixa Geral de Depósitos. À entrada encontramos várias prateleiras com uma série de produtos de várias marcas. “A ideia sempre foi fazer um espaço contemporâneo, moderno, mais para o escandinavo, algo que tivesse um look suficientemente neutro para as pessoas voltarem e não se cansarem de aqui estar. Queríamos variar entre os tons terra e pastéis, num ambiente minimalista, porque o objetivo era que a cor estivesse toda na comida”, explica a responsável pelo espaço. “Estamos a falar de uma comida com legumes e fruta, muito colorida, por isso tirámos a cor de todo o espaço. Todos os artigos que vendemos não têm cores, para que a atenção possa estar concentrada na comida”.

Pensar além-fronteiras

E porquê Eight e não oito, em bom português? Lara explica: “o nome e todo o conceito está pensado em inglês porque a ideia sempre foi internacionalizar o projeto. Nunca passou por abrir em Lisboa e ficar por aqui ou abrir mais sítios em Portugal. O objetivo foi sempre seguir para capitais mundiais. Abrimos o primeiro em Lisboa porque é o lugar do coração, mas queremos abrir em Londres, Vancouver e no Dubai num curto espaço de tempo, que são as cidades por onde eles mais viajam. Acreditamos mesmo neste conceito e que é a mudança no estilo de vida que pode fazer as pessoas terem uma vida mais longa, uma vida melhor. Queremos passar esta mensagem e esta imagem para outros países”.

Eight – The Health Lounge

Segundo Lara há cada vez mais pessoas que usam a cozinha como uma farmácia. “Aquilo que comemos reflete-se em tudo na nossa vida. Tudo o que comemos tem impacto nas doenças do nosso tempo, pois são o resultado de maus hábitos alimentares. O objetivo é mudar isso e a ideia passou por tornar a comida vegan o mais simples possível, que a pessoa possa fazer em casa facilmente.

Slow food

Se por um lado a ideia passou por apostar em comida simples, isso não quer dizer que seja comida rápida. “Não é a mesma coisa que fast food. É healthy food. Apesar de termos tostas e paninis é tudo preparado na hora e leva o seu tempo. Quisemos descomplicar a comida vegan”. Apesar de a comida ser vegan, o espaço não se identifica como tal.

“Apesar de sermos a favor de tudo o que seja cruelty free e projetos o mais ecológicos possível temos alguns artigos em lã e pele. Esta é uma zona turística e quisemos atrair a atenção das pessoas com alguns produtos diferenciadores e que levassem as pessoas a ter curiosidade de entrar. É uma forma de sustentar o projeto e ter mais oferta a quem nos visitasse”.
No primeiro andar está uma área lounge onde os visitantes são convidados a ficar o tempo que quiserem. “Não mandamos ninguém embora. A ideia é que as pessoas se sintam bem e que queiram voltar”.

Quando entramos no espaço salta à vista um mapa-mundo, mesmo por cima da cozinha. Os pontos assinalados nos vários países indicam as nacionalidades dos clientes que já visitaram o espaço. E por cada novo cliente de um novo país que ainda não esteja assinalado no mapa é oferecido um sumo por conta da casa.