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Volume de negócios do comércio ultrapassa 145 mil milhões de euros em 2018

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Em 2018, as empresas de comércio apresentaram resultados positivos, apesar da desaceleração em alguns dos principais indicadores económicos face ao ano anterior, referem os dados das “Estatísticas do Comércio 2018” do Instituto Nacional de Estatística (INE).

As 220,5 mil empresas deste setor (+0,6%) registaram um volume de negócios de 145,1 mil milhões de euros (+5,5%, após +7,3% em 2017), um montante de vendas de mercadorias de 137 mil milhões de euros (+5,5%, +7,2% em 2017). A margem comercial situou-se em 25,7 mil milhões de euros, acelerando de +6,1% em 2017 para +7,1% em 2018, traduzindo-se num valor acrescentado bruto de 18,8 mil milhões de euros (+5,2%, +7,7% em 2017). Já o pessoal ao serviço (800,9 mil trabalhadores) aumentou 4,2% (+2,6% em 2017).

Em termos de repartição do volume de negócios pelas divisões de comércio em 2018, o INE destaca o contributo de 49,5% do setor grossista para o montante total. No comércio a retalho e no comércio e manutenção automóvel, o contributo foi de 35,5% e 15% do volume de negócios total, respetivamente.

Analisando a distribuição do volume de negócios, considerando as 80% observações centrais, por divisão da atividade económica, verifica-se que o ramo grossista apresenta uma distribuição mais dispersa e assimétrica.

O pessoal ao serviço fixou-se em 800,9 mil trabalhadores (+4,2%, após +2,6% em 2017), o equivalente a 19,7% do total do pessoal ao serviço das empresas não financeiras.

As remunerações atingiram 9,1 mil milhões de euros, a que correspondeu a um aumento de 5,1% (+6,2% em 2017) e representaram 20,7% das remunerações globais.

Apesar da desaceleração das vendas de mercadorias, a margem comercial das empresas de comércio (25,7 mil milhões de euros) acelerou de +6,1% em 2017 para +7,1% em 2018, refletindo, em grande medida, a redução do peso relativo no volume de negócios do comércio a retalho e o aumento dos pesos do comércio por grosso e do comércio e manutenção automóvel.

Em termos de produtos e serviços, as vendas de ‘veículos automóveis’ atingiram 14,5 mil milhões de euros, o que representou 68,1% do volume de negócios global das empresas do setor automóvel, o equivalente a um aumento de 1,8 p.p. (-0,7 p.p. em 2017).

Os três principais grupos de produtos comercializados na atividade grossista foram os ‘produtos alimentares, bebidas e tabaco’ (25,8% do total, -1,5 p.p. que em 2017), a ‘venda por grosso especializada’, que abrange combustíveis, materiais de construção, produtos químicos e produtos intermédios (27,2%, +0,9 p.p.) e os ‘bens de consumo doméstico’ (21%, -1,3 p.p.).

Os produtos de ‘alimentação, bebidas e tabaco’ geraram a maior parcela de volume de negócios do comércio retalhista (33,9%, -1,1 p.p.), seguindo-se os ‘combustíveis e outros produtos novos’ onde se incluem também os artigos de ourivesaria e relojoaria, material fotográfico e ótico, produtos de limpeza (21,7%, -1,2 p.p.).

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O volume de vendas do retalho alimentar fixou-se em 12,8 mil milhões de euros (+3,4%, +2,4% em 2017). As unidades de retalho alimentar realizaram, em 2018, um total de 808,1 milhões de transações (+0,2%, após +3,3% em 2017). Em média, cada transação registou um valor de 15,8 euros (+3,2%).

Nestas unidades, as vendas da categoria de ‘produtos alimentares, bebidas e tabaco’ totalizaram 9,4 mil milhões de euros (+4%), o equivalente a 73,4% (tal como em 2017) das vendas dos estabelecimentos comerciais dedicados principalmente ao retalho alimentar. Os principais produtos alimentares vendidos foram os ‘outros produtos alimentares’, onde se inclui o arroz, massas e cereais, entre outros (peso de 12,5% nas vendas totais destes estabelecimentos, +0,3 p.p. que em 2017), seguindo-se a ‘carne e produtos à base de carne’ (11,7%, -0,02 p.p.) e os ‘frutos e produtos hortícolas’ (11,0%, +0,5 p.p.).

O volume de vendas das Unidades Comercial de Dimensão Relevante (UCDR) de retalho não alimentar atingiu 5,8 mil milhões de euros em 2018, o que representou uma subida de 2%. Em oposição, o número de transações (207,8 milhões) realizadas por estas unidades decresceu 6% (+6,7% em 2017), com o consequente aumento do valor médio por transação que atingiu 28,1 euros (+8,5%).

Nas unidades de retalho não alimentar, o ‘vestuário e acessórios’ continuou a ser a categoria de produtos com maior valor de vendas (26,1% do total), seguindo-se os ‘computadores, material ótico, fotográfico e de telecomunicações’ (13% do total), ambos com diminuição da representatividade (-0,7 p.p. e, -2 p.p., respetivamente, face a 2017). Pela positiva, salienta-se, o aumento da importância das vendas de ‘mobiliário de uso doméstico, material de iluminação, têxteis para o lar e retrosaria’ (12,6%, +1 p.p.) e de ‘eletrodomésticos’ (8,4%, +0,8 p.p.).

Quanto a meios de pagamento, a utilização de cartões de crédito e débito em unidades de retalho alimentar continuou a aumentar, representando 59,2% das vendas realizadas (57,7% em 2017, 55,2% em 2016). Já nas unidades de retalho não alimentar, embora os cartões de débito e de crédito se mantenham claramente como o meio de pagamento privilegiado (64,7%), notou-se uma perda de representatividade de 0,9 p.p. face a 2017.

A proporção de vendas de produtos de marca própria nas vendas globais fixou-se, segundo o INE, em 35,9% nos estabelecimentos de retalho alimentar (+1,3 p.p. face a 2017) e em 48% nas unidades de retalho não alimentar (+0,3 p.p. que em 2017).