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Snacking In, Snacking Out

Snacking In, Snacking Out_Kantar

Falar de snacking, enquanto uma complexa categoria de produtos ou um momento de consumo para lá das refeições principais, pode remeter-nos para a eterna questão: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

Se por um lado conseguimos identificar várias e distintas categorias dentro deste universo de snacking, tais como, Barras de Cereais, Barras/Snacks Chocolate, Batatas & Snacks Salgados, Frutos Secos, Sumos de Fruta, Fruta, Queijos, Fiambres, Leite Aromatizado, Iogurtes, Sobremesas Prontas, Tostas, Snacks e Bolos Industriais, Bolachas, Chás e Infusões (entre outras). Por outro lado, observando as diferentes tendências de consumo das mesmas em “In Home” e em “Out of Home”, percebemos o quanto são importantes para o consumo Out of Home, onde representam cerca de 25% do volume realizado pelo shopper, versus 16,3% do volume realizado em FMCG dentro do lar.

No entanto, no consumo dentro do lar estas categorias de snacking, no seu conjunto, apresentam estabilidade em volume (-0,1% de evolução em 2018 vs 2017), enquanto que fora do lar estão muito mais dinâmicas, com um crescimento de +16,4% em volume. Este incremento deve-se a uma compra muito mais frequente, com um consumidor que duplicou o número de vezes que compra estes produtos fora de casa.

Apesar da estabilidade deste conjunto de categorias snacking dentro do lar, existem algumas que se destacam pela positiva, atraindo um maior número de lares compradores, tais como as Barras e Snacks de Chocolate, as Batatas Fritas e Snacks Salgados que conquistam, através dos drivers de prazer e de conveniência, mas também os Frutos Secos, que atraem um consumidor mais aliado à saúde e energia.

Snacking_In_Snacking_Out_Kantar

Já fora do lar, as categorias que mais se desenvolvem aliam o prazer e o sabor, tais como os Snacks e Bolos, as Bolachas e também as Barras de Cereais. No entanto, na conjugação dos drivers prazer e sabor, são os ice snacking que mais crescem, incluindo tanto os gelados tradicionais, como as versões mais healthy, à base de iogurte.

Se optarmos por analisar por momento de consumo, no fora do lar, onde se verifica maior dinamismo na procura, os produtos que mais se destacam nos momentos de snacking versus a média são os frutos secos, os chocolates e as barras de cereais, que funcionam como um boost de energia, mas também aqui vemos que o consumidor procura soluções mais de indulgência.

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Observemos o caminho do consumidor ao longo do dia.  Começa com o pequeno almoço dentro de casa (que representa 28,9% do consumo realizado In Home), mas que realiza as três refeições seguintes fora de casa, nomeadamente, o snack da manhã, o almoço e o snack da tarde (que em conjunto representam quase 74% das ocasiões realizadas em Out of Home). Com um reforço do snack da manhã e almoço no consumo realizado fora de casa e regressando mais a casa no consumo ao fim do dia, com os momentos de jantar e após o jantar a ganharem espaço ao fora do lar.  É interessante perceber como as categorias de snacking beneficiam desta maior predisposição do shopper português de as consumir mais durante o tempo que está fora de casa, em detrimento do consumo anteriormente realizado dentro do lar.

Quando analisamos os locais de compra e falando de In Home, 80% do volume comprado destas categorias é feito na distribuição moderna (DM), e embora o comércio tradicional enquanto canal se destaque neste universo de snacking vs total FMCG (índex de 177 em peso em volume %), é o Aldi o player da DM mais sobre desenvolvido.

Já para Out of Home, a realidade no universo de snacking é um pouco distinta. É verdade que o canal impulse tem historicamente um peso e abrangência muito elevadas, mas a DM tem ganho uma forte importância no este consumo on the go, e para estas categorias de snacking apresenta já um forte destaque com um índex de desenvolvimento superior a 200%.

Torna-se evidente que tem havido cada vez um melhor aproveitamento da presença do shopper nas lojas, tanto para o consumo realizado dentro de casa, como essencialmente para o consumo realizado on the go, com um shopper que tem o botão de consumo ligado 24horas, 7 dias por semana e 365 dias no ano.

Esta análise foi, originalmente, publicada na edição 477 da revista DISTRIBUIÇÃO HOJE.