Retalho

Criação de empresas no retalho abaixo da média

Criação de empresas no retalho abaixo da média

Ao longo dos 12 meses do ano nasceram, em Portugal, 48.854 novas empresas, quase mais 3 mil do que em 2018, o que representa um crescimento de 6,4%, revelando o mais recente Barómetro da Informa D&B que a constituição de novas empresas cresce consecutivamente há 3 anos, e 2019 marca um novo recorde neste indicador.

Contudo, os setores do retalho e grossista foram dos que menos contribuíram para este crescimento. Se no caso do retalho até se registou uma ligeira evolução de 3,1%, o que equivale a mais 155 empresas do que em 2018, na área grossista a performance foi negativa com um decréscimo de 2,6%, ou seja, menos 71 empresas.

O setor do retalho viu, em 2019, nascer 5.141 empresas, contra as 4.986 de 2018, enquanto a área grossista viu o parque de empresas diminuir, tendo criado 2.625 empresas contra as 2.696 do ano anterior.

Globalmente, foi o setor dos transportes que maior crescimento registou, indicando o Barómetro da Informa D&B que o setor viu nascer 4.339 novas empresas em 2019, mais 2.180 que em 2018, o que corresponde a um crescimento de 101%. Este crescimento deve-se quase na totalidade às novas empresas registadas no subsetor do ‘Transporte ocasional de passageiros em veículos ligeiros’, na sequência da promulgação da Lei 45/2018 que regula a atividade de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataformas eletrónicas. Este crescimento, inicialmente mais evidente no distrito de Lisboa, alargou-se também aos distritos do Porto, Faro e Setúbal e tem sido constante ao longo do ano. No entanto, cerca de 2/3 das empresas neste subsetor têm apenas um empregado e mais de 80% faturam até 50 mil euros (com um valor médio de 21 mil euros).

De resto, o ano de 2019 confirmou a tendência de uma crescente pulverização do tecido empresarial, com o nascimento de empresas de muito reduzida dimensão. Quase todo o crescimento em novas empresas do último ano fica a dever-se ao número cada vez maior de sociedades unipessoais. Mais de metade das empresas criadas (54%) são sociedades unipessoais, enquanto que há 10 anos, a criação destas empresas representava pouco mais de um terço (39%).

Setores com forte ligação ao turismo com maiores quedas
O setores e subsetores com maior ligação ao turismo foram em 2019 os que registaram maiores recuos na constituição de empresas, nomeadamente as atividades Imobiliárias, o alojamento de curta duração e os serviços turísticos, todos eles protagonistas de significativos crescimentos em novas empresas até 2018.

As atividades Imobiliárias protagonizaram uma grande vaga de empreendedorismo nos anos mais recentes, mas em 2019 registaram uma das maiores descidas nos nascimentos (-6%), sobretudo no distrito de Lisboa. Desta vaga recente de empreendedorismo (desde 2014) a esmagadora maioria das empresas constituídas (93%) ainda se mantém em atividade e teve como consequência uma renovação do tecido neste setor, sendo que quase metade das empresas têm até 5 anos.

No setor do Alojamento e Restauração, a constituição de novas empresas de “alojamento de curta duração” recuou 15,8%, com grande peso também do distrito de Lisboa. O mesmo não acontece com o subsetor da Hotelaria e turismo rural, que cresce 9,7%. A Restauração regista um crescimento ligeiro nas constituições (+0,6%), mais acentuado no terceiro trimestre.

Encerramentos e insolvências em queda
De acordo com o Barómetro D&B, foram encerradas 15.898 empresas em 2019, uma redução de 17,3% face a 2018, que tinha sido o ano com mais encerramentos na última década. Esta diminuição acentuou-se desde junho e é transversal a todos os setores e distritos, com a maioria dos setores a registar descidas de dois dígitos.

Assim, nos últimos 12 meses o número de empresas criadas por cada uma que encerra foi de 3,1 (rácio nascimentos / encerramentos), também um recorde neste indicador.

Por outro lado, no campo das insolvências, a Informa D&B mostra que, em 2019, 2.204 empresas iniciaram um processo de insolvência, menos 157 que em 2018 (-6,6%). Esta descida é transversal a quase todos os setores e distritos, e mantém-se desde 2013.

No entanto, esta tendência de descida abrandou recentemente, especialmente desde o segundo trimestre de 2019, devido ao setor das Indústrias que registou um aumento de 16% nas novas insolvências, sobretudo nas empresas têxteis e metalúrgicas.