o retalhista

Manifesto “mais ou menos anti-data”

Vivemos agora a “febre” dos dados. Tudo o que é importante provém dos dados, tudo são documentos de EXCEL, CRM e demais siglas e anglicanismos.

E estas linhas não são um manifesto anti-data, atenção, são apenas ideias soltas, numa sexta-feira chuvosa, para se refletir como estamos a colocar as emoções e a criatividade de lado.

Os dados são armas poderosas, que nos ajudam a saber muita informação, mesmo que não saibamos o que fazer com ela, ou que saibamos antemão o que vamos fazer, mas justificamos com os dados que queremos. Faz-me lembrar uma tia que tive e que cada vez que ia almoçar a sua casa me perguntava: “Quer batatas fritas ou arroz a acompanhar”. Obviamente escolhia batatas fritas para segundos depois ser informado que não havia e que teria de comer arroz. A utilização de dados nos dias que correm é mais ou menos isso. E confiar apenas neles têm riscos.

Porque o ser humano tem esta dificuldade em seguir equilíbrios. Se há algo que está na moda, zás, seguimos isso como nos fosse prometido o paraíso. Só que o mesmo ser humano é um ser que inevitavelmente necessita de emoção, de ligação. Fazendo uma outra comparação, a industria musical comercial é hoje feita de data e bytes e algoritmos para facilitar a melodia para o ouvido humano. Mas, ao mesmo tempo nunca tivemos música tão efémera e plástica como hoje. Alguém se vai lembrar do Despacito daqui a 20 anos? Alguém irá procurar no Spotify do futuro o sucesso do The Weekend? Não creio. Mas todos continuamos a ouvir música feita com sangue súor e lágrimas e nunca as festas das décadas passadas foram tão badaladas e famosas.

Ou utilizar o big data para isto? Servirá para alguma coisa?
Data sim, mas com emoção, criatividade e humanidade. Não somos, ainda, robots. E isto tudo fez-me lembrar o excelente vídeo realizado pelo vídeo artista Chris Cunningham (que fez este anuncio vídeo para Nissan)

O Dia de São Valentim vem aí. E, meus caros, se a vossa “relação” com o consumidor – ou com a cara metade – for apenas baseada em data, temo que não exista futuro. Mas se conseguirem unir criatividade e data irão fazer coisas muito poderosas.

E deixo-vos sugestões para o fim-de-semana de Carnaval, todas elas porque têm emoções e não foram escolhidas por uma análise de dados…

Uma série.

Um filme.

Um restaurante.

Uma exposição.

Um livro.